Usar Mateus 11:11 para dizer que ninguém pode ser maior que
João Batista é ignorar a própria continuação da fala de Jesus. Cristo não
apenas disse que, entre os nascidos de mulher, ninguém era maior que João
Batista; Ele também acrescentou que o menor no Reino dos Céus é maior do que
ele.
O contexto explica tudo. João Batista é o maior dos profetas
da Antiga Aliança. Isso significa que ele supera até mesmo grandes figuras como
Moisés, Elias, Jeremias e Isaías. Mas por quê? Porque sua missão foi única.
Enquanto os outros profetas anunciavam a vinda do Messias de longe, João
Batista foi aquele que preparou diretamente o caminho para Cristo. Ele foi a
voz que clamava no deserto, endireitando as veredas do Senhor e apontando para
o Cordeiro de Deus. Sua grandeza não estava nele mesmo, mas na proximidade de
sua missão com a pessoa de Jesus Cristo.
Mas isso não significa que João Batista seja o maior de
todos os salvos em todos os tempos. O próprio Jesus mostra que existe uma
realidade superior: o Reino dos Céus inaugurado por Sua morte e ressurreição.
Antes da Redenção, nem mesmo os grandes patriarcas e
profetas contemplavam a visão de Deus. Todos aguardavam a obra salvadora de
Cristo. O próprio João Batista, ao morrer, ainda esperava a consumação da
vitória de Cristo sobre a morte. Somente após a Paixão, Morte e Ressurreição do
Senhor é que as portas do Céu foram abertas aos justos.
Por isso Jesus afirma que o menor no Reino dos Céus é maior
do que João Batista. Não porque João fosse pequeno, mas porque a graça da Nova
Aliança é superior à condição dos justos que aguardavam a Redenção.
O próprio São Paulo ensina essa diferença quando compara a
glória da Antiga Aliança com a glória do Evangelho. Se a Lei dada por Moisés já
possuía glória, muito maior é a glória de Cristo. Se foi grande anunciar a Lei,
maior ainda é anunciar o Evangelho que salva. Se foi grande preparar o caminho
para Cristo, maior ainda é participar plenamente da obra de Cristo já
realizada.
Por isso, depois da Ressurreição, encontramos os Apóstolos
anunciando o Evangelho ao mundo inteiro. São Pedro, São Paulo e os demais não
pregavam mais a promessa da salvação; pregavam a salvação já realizada por
Cristo. Eles anunciaram não apenas a chegada da Luz, mas a própria Luz presente
no mundo.
E se a grandeza de João Batista vem de sua relação com
Jesus, quanto mais a grandeza de Maria. João preparou o caminho para Cristo;
Maria deu ao mundo o próprio Cristo. João apontou para o Cordeiro de Deus;
Maria O carregou em seu ventre. João exultou diante da presença do Salvador;
Maria foi escolhida para ser Sua mãe.
O próprio João Batista testemunha essa grandeza quando,
ainda no ventre de Isabel, salta de alegria diante da presença de Maria que
traz Jesus consigo. A honra de João vem de estar próximo de Cristo. A honra de
Maria vem de uma união ainda mais íntima e singular com Cristo.
Portanto, Mateus 11:11 não estabelece um ranking definitivo
de santidade entre todas as pessoas que existiriam. Jesus está exaltando João
Batista como o maior profeta da Antiga Aliança e, ao mesmo tempo, mostrando que
a realidade da Nova Aliança é ainda maior. Quem usa apenas a primeira metade do
versículo e ignora a segunda acaba perdendo exatamente o ponto principal que
Cristo quis ensinar.
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