Milagre o Testemunho da Verdade

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Decadência das Igrejas Protestantes


             Luta livre em igrejas evangélicas como método de crescimento de igreja, embora nos choque, é a conclusão lógica da teologia pragmática que sustenta o movimento de crescimento das igrejas, que, se pensava, estivesse defunto, mas eis que ressurge pelas pesadas portas abertas das igrejas emergentes. Nessa visão, vale-tudo para encher as igrejas. E aquelas que não estão dispostas a encher seus salões a qualquer preço, são vistas como retrógradas, sem o Espírito Santo, fechadas, etc.
               Rev. Algustus Nicodemus, Ph.D. Teólogo Presbiteriano Brasileiro (1). 
            Por causa da diminuição na assistência, muitas igrejas mudaram de estratégia. Algumas afirmam que “não julgam ninguém”, dado a entender que Deus aceita todo tipo de conduta. Em vez de ensinar a palavra de Deus, cada vez mais igrejas oferecem diversão, emoção e atrações que nada têm a ver com a Igreja de Cristo e com o seu Evangelho. Embora alguns dos que freqüentam as igrejas considerem essas mudanças como necessárias adaptações ás realidades do mundo moderno, muitas pessoas sinceras ficam pesando que as igrejas não estão se afastando da missão dada por Jesus.
            “O movimento evangélico na América Latina divide-se em inúmeras igrejas”, diz o pesquisador Duncan Green em seu livro Faces of Latin América (Aspectos da América Latina). “Frequentemente, essas igrejas giram em torno de um único pastor. Em geral, quando uma delas cresce, dividem-se em pequenas novas igrejas.” Sempre o cisma é marcada por contendas, inveja, heresias e poder econômico. Essa prática é conhecida como “ESCÂNDALO DA DIVISÃO”.
A CRISE NA EUROPA
                  Por mais de 1.600 anos, quase toda a Europa foi dominada por governos que se diziam cristãos. Será que a religião na Europa está prosperando neste século 21? Em 2002, o sociólogo Steve Bruce, em seu livro God is Dead - Secularization in the West (Deus Está morto no Ocidente), comentou o seguinte sobre a Grã-Bretanha: “No século XIX, praticamente todos os casamentos realizados com cerimônia religiosa.” No entanto, por volta de 1971, apenas 60% dos casamentos ingleses eram assim. Em 2000, esse número caiu para meros 31%.
             Mencionando essa tendência, o correspondente de religião para o jornal londrino The Daily Telegraphescreveu: “Todas as principais denominações, desde a Igreja Anglicana e a Igreja Católica, até a Igreja Metodista e a Igreja Reformada Unida, estão passando por um longo período de declínio”. Sobre um relatório ele disse: “É muito provável que até 2040 as igrejas da Grã-Bretanha estejam quase extintas, com apenas 2% da população assistindo aos ofícios de domingo.” O mesmo tem sido dito a respeito das igrejas da Holanda e de outros países na Europa. “Nas ultimas décadas nosso país parece ter ficado definitivamente mais separado da religião”, observou um relatório do Escritório Holandês de Planejamento Social e Cultural. “Estima-se que por volta de 2020, 72% da população não estará filiada a religião nenhuma.” Uma fonte noticiosa da Alemanha diz: “Um número cada vez maior de alemães procura na feitiçaria e no ocultismo o ânimo que antes encontravam na igreja, no trabalho e na família....Por todo o país, há igrejas que acabam fechando por falta de adeptos.” A Nova Era e as seitas tem causado um estrago danado em muitas denominações históricas protestantes como também na Igreja Católica e Ortodoxa.
 ESTADOS UNIDOS
              Nos Estados Unidos as pessoas levam a sério os assuntos da fé. De acordo com algumas das principais agências de pesquisa de opinião, pelo menos 40% das pessoas que entrevistaram afirmam que vão à igreja toda semana, embora os números reais indiquem que, na verdade esse percentual esteja mais perto dos 20%. Mais de 60% diz acreditar que a Bíblia é a Palavra de Deus. No entanto, seu entusiasmo por uma religião pode durar pouco. Muitos que freqüentam igrejas nos Estados Unidos mudam facilmente de religião. Se um pregador perder a popularidade ou o carisma, logo ele pode muito bem perder sua congregação, o que muitas vezes significa também perder um lucro significativo. Algumas igrejas estudam técnicas comerciais para aprender a “comercializar” da melhor maneira os seus ofícios religiosos. Há congregações que pagam milhares de dólares a firmas que prestam consultoria a igrejas. De acordo com uma reportagem sobre essas firmas, um pastor satisfeito com o serviço disse: “Foi um ótimo investimento”.  Não admira que a “teologia da prosperidade” seja uma prática constante em muitas igrejas e ministérios. Ela é hoje considerada a mais terrível heresia no protestantismo. Os religiosos aprendem que se contribuírem generosamente para a sua igreja ficarão ricos e saudáveis. Quanto à moral, Deus muitas vezes é apresentado como tolerante. Tem-se comentado que: “As igrejas americanas cuidam do bem-estar das pessoas em vez de julgá-las.” Religiões populares costumam usar sugestões de auto-ajuda para auxiliar a pessoa a ser bem-sucedida. Cada vez mais pessoas se sentem bem em igrejas que não pertencem a uma denominação específica, cujas doutrinas, consideradas motivo de divisão, quase nunca são mencionadas. No entanto, fala-se de modo aberto e especifico sobre política, o que ultimamente tem dado origem a alguns episódios embaraçosos para alguns pastores. Será que está havendo um reavivamento religioso na América do Norte? Em 2005, a revista Newsweek fez uma reportagem sobre a popularidade de “ofícios religiosos com gritos, desmaios, pés batendo no chão” e outras práticas religiosas. Mas ela destacou: “Seja o que for, não se trata de um grande aumento no numero de pessoas indo á igreja.” Quando se pergunta ás pessoas qual é a sua religião, a resposta mais comum é: “Nenhuma”. Se algumas congregações aumentam, isso acontece porque outras estão diminuindo. A evidência mostra que as pessoas estão abandonando aos milhares religiões convencionais, com suas cerimônias, enormes templos, música de órgão, conjuntos musicais, teatros e clérigos vestidos a rigor. Há muitas pesquisas e estudos que mostram que as igrejas estão sofrendo uma fragmentação na América Latina, perdendo adeptos na Europa e mantendo o apoio nos Estados Unidos por oferecer entretenimento, espetáculo e emoção. É claro que há muitas exceções a essas tendências, mas o quadro é o de igrejas lutando para manter o poder e o show. 
EVANGELHO DILUÍDO
            René Padilha, teólogo equatoriano radicado na Argentina e porta-voz da missão integral, chamam de problema fundamental das igrejas a ênfase exagerada no crescimento numérico. “Em nome dele, o evangelho é diluído, os cultos são transformados em entretenimento e o mandamento de Jesus sobre fazer discípulos é substituído por uma estratégia de alistar o maior numero possível de ‘convertidos’ ás fileiras das instituições religiosas.” Em suas viagens, Padilha tem visto “um numero enorme de megaigrejas com altas taxas de crescimento numérico, mas com baixo grau de preocupação com a com a fidelidade ao evangelho completo e ás dimensões éticas do discipulado na vida com um todo” (2). Dá para perceber que o evangelho integral verdadeiro não faz parte dessas igrejas.                                            
CONCLUSÃO
              Nosso mundo é dividido, subdividido e fragmentado, a ponto de podermos considerá-lo estilhaçado. Nossas diferentes línguas, nacionalidades e religiões têm recortado a raça humana e, até mesmo, o Corpo de Cristo, em centenas de milhares de partes. A razão principal de tantas divisões e de tanta fragmentação é uma só: o orgulho. Sim, como ocorreu com os construtores da Torre de Babel, nós, os seres humanos, continuam querendo o maior destaque possível, para vermos nosso nome elevado nas alturas (Gn 11,4). Continuamente nós buscamos ser melhores que os outros, e procuramos mostrar superioridade, prestigio e poder; ou seja, só desenvolvemos atitudes que causam divisão. Em meio a isso, as pessoas, se vangloriam de serem justas, mas, no fundo, menosprezam os outros (Lc 18,9). Para Santo Tomás de Aquino o orgulho é a raiz de todo o pecado. Esse pecado passa para a família doméstica, religiosa e social. E o dano é catastrófico.  Entretanto, o orgulho do mundo sofreu um tremendo revés com a vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo, que nos trouxe uma mensagem totalmente inovadora: a mensagem do amor. Ele, ao morrer por nós, no Calvário, elevou Seu nome acima de todos os nomes, e mostrou que não há maior reconhecimento no céu, para uma pessoa, que ama própria cruz. Através do precioso sangue escorrido de Seu corpo crucificado, Jesus mostrou que a vida dos seres humanos deve ser voltada para a partilha. E partilha envolve amor e humildade. Muito amor e muita humildade! Muita comunhão!  Jesus veio para reconciliar “todas as criaturas” (Cl 1,20) e destruir a inimizade que separa as pessoas (Ef 2,14). E isso Ele fez, dando Sua própria vida. Ou seja, demonstrando que, ao nos negarmos a nós mesmos e assumir-mos nossa cruz (Mc 8,34), nós passamos a ter os mesmos pensamentos, nos tornando uma só alma, e permanecemos unidos (Fl 2,2). Em Jesus, nada fazemos por causa própria ou por vanglória, mas fazemos tudo com humildade, considerando os outros superiores a nós (Fl 2,3). Por isso, “cada qual tenha vista não os seus próprios interesses e, sim, os dos outros; dedicando-se, mutuamente, á estima que se deve em Cristo Jesus”  (Fl 2,4-5).  O orgulho leva a decadência pessoas e instituições. A máquina da propaganda religiosa, com a soberba do triunfalismo e o interesse do líder pelo showbizz, leva a trair o Evangelho de Jesus Cristo. 

Pe. Inácio José do Vale Escritor e Conferencista
Professor de Historia da Igreja Especialista em Ciência Social da Religião
E-mail: pe.inaciojose.osbm@hotmail.com
FONTES (1) Saber e Fé, ano 2, n. 6, p.47.(2)
Ultimato, ano XLIV, n. 328, p.62.

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