É impressionante a coragem de certos hereges modernos que, para defender suas interpretações pessoais, precisam apagar ou distorcer as palavras mais claras de Jesus Cristo. O Senhor disse sem rodeios: “Isto é o meu corpo” e “Este é o meu sangue”. Não disse “isto simboliza”, “isto representa” ou “isto lembra”. Mas preferem chamar Jesus de figurativo do que abandonar a própria teimosia.
E usam o argumento de que no Antigo Testamento era proibido consumir sangue. Sim, era proibido. No Velho Testamento também havia centenas de preceitos da Lei: circuncisão obrigatória, regras alimentares, sacrifícios, guardar sábados e inúmeros rituais. Mas Cristo veio justamente cumprir e elevar a Lei, inaugurando a Nova Aliança.
O próprio São Paulo combateu duramente aqueles que queriam obrigar os cristãos a viver novamente sob o jugo da antiga Lei, como se a salvação viesse dos preceitos judaicos. Ele advertiu que quem buscava justificar-se pela Lei estava, na prática, rejeitando a graça de Cristo. Os apóstolos também disseram para não impor aos convertidos um peso que nem os próprios judeus conseguiram suportar.
Então veja a incoerência: usam regras do Velho Testamento para tentar negar as palavras do próprio Cristo no Novo Testamento. Querem anular o Evangelho com argumentos antigos já superados pela Nova Aliança. Isso é gravíssimo.
E pior ainda: em João 6, muitos discípulos abandonaram Jesus justamente porque entenderam literalmente o que Ele dizia sobre comer sua carne e beber seu sangue. Se fosse apenas símbolo, bastava Jesus esclarecer. Mas Ele não voltou atrás. Não suavizou. Não corrigiu o entendimento deles. Pelo contrário: reforçou a verdade, mesmo vendo muitos irem embora.
Hoje fazem exatamente o mesmo. Rejeitam uma fala clara de Cristo porque ela confronta suas interpretações pessoais. E ainda têm a ousadia de espalhar isso para outros, anulando as palavras do Senhor e ignorando completamente o testemunho dos primeiros cristãos, dos discípulos dos apóstolos, que deixaram escritos afirmando a presença real de Cristo na Eucaristia.
Isso não é zelo pela verdade. É repetir o erro daqueles que abandonaram Jesus por não aceitarem sua doutrina. Porque toda vez que alguém tenta invalidar o “isto é meu corpo” para encaixar Cristo nas próprias ideias, está crucificando novamente a verdade do Evangelho e colocando a tradição humana acima da palavra do próprio Filho de Deus.

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