Milagre o Testemunho da Verdade

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022

O Purgatório na Visão dos Santos - O que, porque e como é

 

Extraído do livro
O Purgatório Um Mistério de Amor
O Purgatório na Visão dos Santos
Geísa Maria Martins
Marques Saraiva Gráficos e Editores
Rio de Janeiro
1ª Edição, 2002



Purgatório – O que é?
Os que morrem na graça e na amizade de Deus, mas não estão completamente purificados, embora tenham garantida a sua salvação eterna, passam, após sua morte, por uma purificação, a fim de obterem a santidade necessária para entrarem na alegria do Céu.

Catecismo da Igreja Católica nº 1030
É um Dogma de Fé e por isso nenhum cristão pode colocar em dúvida sua existência. A Santa Igreja, baseando-se na Sagrada Escritura e na Tradição, definiu basicamente nos Concílios de Florença e de Trento o que devemos acreditar sobre este assunto.
Estado de espírito onde as almas pagam as dívidas à Justiça Divina.
É muito importante saber que…
As almas do Purgatório já não podem mais merecer, isto é, não têm a possibilidade de alcançar méritos, não podem fazer nada para merecer a vida eterna, precisam de nós que ainda temos à nossa disposição os Tesouros da Redenção, que é formado pelos os Méritos infinitos de Nosso Senhor Jesus Cristo, da Bem-aventurada Virgem Maria e dos Santos.
Isto entenderemos melhor mais adiante…
Entre o último suspiro, e a eternidade, há um abismo de misericórdia”. - São Francisco de Sales

O Purgatório na Palavra de Deus
A doutrina sobre o Purgatório não está explícita na Bíblia Sagrada, no entanto, algumas passagens dão as ideias fundamentais de sua existência.
Em 2 Macabeus 12, 39-46 – “…puseram-se em oração para pedir que o pecado cometido fosse cancelado”. “…ele mandou oferecer esse sacrifício expiatório pelos que haviam morrido, a fim de que fossem absolvidos de seu pecado”.
Em Mateus 5, 25-26 – “…dali não sairás, enquanto não pagares o último centavo”.
Em Mateus 12, 31-32 – “…não lhe será perdoado, nem neste mundo, nem no vindouro”.
No Apocalipse 21, 27 – “Nela jamais entrará algo de imundo”.

Por que motivos podemos ir para o Purgatório?
Todo pecado trás como consequência duas coisas:
A culpa e a pena (pena eterna + pena temporal).
Pela verdadeira contrição e pelo Sacramento da Reconciliação, ficam perdoadas a culpa e a pena eterna.
Todavia, permanece a pena temporal, o dever da penitência e da reparação do mal que cometemos. Fica uma dívida que devemos pagar à Justiça de Deus, nesta vida ou no Purgatório.
Pelas Indulgências podemos diminuir e até apagar toda a pena temporal. Sobre as indulgências falaremos adiante.
Assim podemos resumir os motivos que nos levam ao Purgatório:
 – pelos pecados veniais não remidos ou perdoados neste mundo;
 – pelas inclinações viciosas deixadas em nossa alma pelo hábito do pecado e
 – pela pena temporal devida a todo pecado mortal ou venial cometido depois do batismo e não expiado ou expiado insuficientemente nesta vida.

Como são os sofrimentos (penas)?
1º Sofrimento – Pena dos Sentidos
Reuni todas as penas que os homens têm sofrido, sofrem e sofrerão, desde o princípio do mundo até o fim dos tempos; juntai todos os tormentos que os tiranos e os algozes têm feito sofrer aos mártires: será uma pálida imagem dos tormentos do Purgatório; e, se às pobres encarceradas fosse permitida a escolha, prefeririam aqueles suplícios durante mil anos a ficarem no Purgatório mais um dia”. - Santa Catarina de Gênova
A dor não é o golpe que recebe, mas a sensação dolorosa desse golpe”. - São Tomás de Aquino
O fogo que envolve é o mesmo que atormenta os condenados no inferno, e esse fogo, oh, é terrível!” - São Tomás de Aquino
As penas do Purgatório são passageiras, não são eternas, mas creio que são mais terríveis e insuportáveis que todos os males desta vida”. - São Gregório Magno
Como deve ser maravilhoso o Céu, pois Deus exige uma purificação tão dolorosa das almas”. - Santa Catarina de Sena
2º Sofrimento – Pena do Dano
É a separação forçada de Deus ou uma força irresistível, que a cada instante afasta bruscamente de Deus a alma que a todo momento, por instinto de sua natureza, corre a se unir com Ele. Imaginemos uma mãe que chamada pelo filho prestes a ser devorado por uma fera, fosse retida por uma força invencível no momento em que se precipitasse em seu socorro. Para as almas esta sensação é uma constante.
3º Sofrimento – Impotência de se acudirem a si próprias
É a impotência absoluta, não podem nem fazer penitência, nem merecer, nem satisfazer à Justiça Divina, nem ganhar uma indulgência, nem receber os Sacramentos.
Mais uma vez é importante lembrar que nós podemos ajudá-las a se libertarem.
4º Sofrimento – O conhecimento dos seus pecados
As almas do Purgatório veem as coisas de Deus diferente de nós, esclarecidas pela Divina Luz, compreendem elas o respeito, o amor, a obediência que deviam a Deus, e ainda, a ingratidão dos pecados que cometeram. Essa ingratidão as oprime de tantos remorsos, que elas sentem a necessidade de sofrer para expiar tanta falta de amor, e ainda, a esse sentimento se une o pensamento de que teriam podido facilmente evitar em vida as faltas que as fazem sofrer.
5º Sofrimento – O esquecimento em que caem
As almas sofrem com o esquecimento dos seus, elas pedem o repouso, o refrigério e a luz, e não rezamos por elas o quanto deveríamos, para libertá-las desse estado.
6º Sofrimento – Incerteza do tempo de permanência no Purgatório
Na eternidade não há mais tempo. O tempo não é como o nosso, elas sofrem sem saber quando vão se libertar. Um minuto nosso para elas é uma eternidade.
Eu temo, temo do bom conceito que meus amigos têm feito de mim; entendendo que eu já estou no Céu, sem querer me deixarão ficar no Purgatório”. - São Francisco de Sales
De boa vontade eu ficaria cem mil anos no Purgatório, pois teria a certeza do Paraíso”. - São Bernardino de Sena

O que nos leva ao Purgatório?
A Tibieza e o Pecado Venial
A tibieza é o hábito não combatido do pecado venial, ainda que seja um só”. - Santo Afonso
A tibieza mina o espírito, sem que as pessoas percebam, nos enfraquece espiritualmente, amortece as energias da vontade e do esforço. Afrouxa a vida cristã. É um sistema de acomodações na vida espiritual do cristão.
Há muitos sinais de tibieza, mas o que a caracteriza é o pecado venial deliberado e habitual.
Tudo quanto ofende a Nosso Senhor nunca é leve ou coisa sem importância para uma alma fervorosa. O pecado venial é uma ofensa a Deus, e nele há:
Três circunstâncias agravantes:
 – Uma injúria a Majestade Divina.
 – Revolta contra a Autoridade de Deus.
 – Ingratidão a Bondade Eterna.
O hábito dos pecados veniais tira dos nossos olhos a malícia do pecado grave, e em breve não receamos passar das faltas mais leves aos maiores pecados”. - São Gregório
Depois da morte, as menores penas que nos esperam é algo maior do que tudo que se possa padecer neste mundo. “As menores faltas são punidas severamente”. - Santo Anselmo

O que devemos fazer?
Eis as palavras de Santo Agostinho:
Devemos, pois socorrer os falecidos:
 – Em razão do parentesco de sangue.
 – Por gratidão, aos benfeitores nossos.
 – Por justiça.
 – Por caridade.
O Santo Cura d’Ars, São João Batista Vianney, era um devoto fervoroso das almas do Purgatório. Pedira a Deus a graça de sofrer muito. Os sofrimentos do dia, oferecia-os pela conversão dos pecadores, e os da noite, pelas almas do Purgatório.
Se soubéssemos como é grande o poder das boas almas do Purgatório (em nosso favor) sobre o Coração de Jesus, e se soubéssemos também quantas graças poderíamos obter por intercessão delas, é certo, não seriam tão esquecidas”. - São João Batista Vianney

Como podemos ajudá-las?
Um dia, Santa Gertrudes rezava com fervor pelos falecidos, quando Nosso Senhor lhe fez ouvir estas palavras:
Eu sinto um prazer todo especial pela oração que me fazem pelos fiéis defuntos, principalmente quando vejo que a compaixão natural se junta a boa vontade de a tornar mais meritória. A oração dos fiéis desce a todo instante sobre as almas do Purgatório, como um orvalho refrigerante e benéfico, como um bálsamo salutar que adoça e acalma suas dores, e ainda as livra das suas prisões mais ou menos rapidamente conforme o fervor da devoção com que é feita”.
E ainda noutra ocasião:
Muitíssimo grata me é a oração pelas almas do Purgatório, porque por ela tenho ocasião de libertá-las das suas penas e introduzi-las na glória eterna”.

Oração
Aplicando as indulgências recebidas na oração em sufrágio, para a liberdade das almas do Purgatório.
Aqui vemos a importância das indulgências, através delas pagamos à Justiça Divina o que devemos, ou as oferecemos pelas almas para que elas possam assim pagar o devem à Justiça Divina, e se libertarem para entrar no gozo Celeste.
Salmo 129 (130) – De Profundis
É um dos sete Salmos Penitenciais, e é uma oração indulgenciada.
Orações canônicas do Breviário ou Divino Ofício, Orações Oficiais da Igreja
A oração é a chave de ouro que abre o Céu”. - Santo Agostinho

Sofrimento
Aliviemos as almas do Purgatório, aliviemo-las por tudo o que nos penaliza, porque Deus tem cuidado em aplicar aos mortos os méritos dos vivos”. - São João Crisóstomo
Podemos aceitar os nossos sofrimentos com amor e humildade, oferecendo-os em sacrifício pelas almas, afim de que elas sofram menos. É meritório para nós (santificação) e para as almas (alívio dos sofrimentos) oferecer a Nosso Senhor Jesus Cristo a cruz de cada dia pelos nossos falecidos. Quem não tem a sua cruz?
É bom lembrar que, aceitando os sofrimentos da vida, em espírito de reparação, estaremos diminuindo as penas que poderemos experimentar se formos para o Purgatório. Não sabemos o nosso futuro.

Ato Heroico
Quando fazemos um ato de penitência e oração, como por exemplo, rezar um Santo Terço de joelhos, há neste ato, três frutos diferentes:
Um fruto meritório – que não o podemos perder, é o mérito pessoal de quem o pratica, nos dá um acréscimo de graça e de glória.
Um valor satisfatório do ato – que é a penitência, o sacrifício, e este é para as almas, no Ato Heroico.
Uma força impetratória – que é a da oração como oração.
“É o ato que consiste em oferecer à Divina Magestade, em proveito das almas do Purgatório, todo o valor satisfatório das obras que fizemos durante a vida, e todos os sufrágios que forem aplicados pela nossa alma depois da morte”.
Este ato há de ser feito em perpétuo, isto é, por toda a vida continuando após a morte, mas não obriga sob pena de pecado, a pessoa pode renunciá-lo, não comete pecado mortal nem venial.
Pelo Ato Heroico não renunciamos o mérito de nossas boas obras, isto é o fruto meritório, que nos dá nesta vida um acréscimo da graça e da glória no Paraíso. Este merecimento é nosso e não o podemos ceder aos outros.
Além disso, tudo o mais que fizermos, será em proveito das almas do Purgatório, desde que fazemos o Ato Heroico, todas as indulgências que lucramos são das almas. Só a indulgência plenária na hora da morte não é aplicável aos falecidos. O Ato Heroico não impede de rezar nas próprias intenções e pelos falecidos.
O Ato Heroico não nos impede de utilizar a força impetratória da oração por alguma alma em particular, mas a entrega que se faz em favor das almas sofredoras neste ato, no qual cedemos o valor satisfatório, é feito, em geral, por todas as almas, e não em favor de uma ou outra em particular.
É um engano pensar que se perde muito com o Ato Heroico, ao contrário, lucra-se mil vezes mais. Deus se deixa vencer em generosidade? Este Ato é cheio de mérito, é um ato perfeito, que nos faz esquecer de nós mesmos para favorecer nossos irmãos e praticar a caridade. “A caridade cobre uma multidão de pecados”, nos ensina a Palavra de Deus. Este heroísmo de caridade será recompensado com superabundância de graças em vida e de glória na eternidade.
Para realizá-lo, não é prescrita uma oração em especial, pode ser feito espontaneamente.

Missas Gregorianas
É providenciar a celebração de trinta Santas Missas individuais, isto é, por uma só alma e não por diversas na mesma Santa Missa, em trinta dias consecutivos, se por acaso nestes dias forem os três últimos dias da Semana Santa (sexta-feira ao domingo), a interrupção não altera o prosseguimento, as Santas Missas destes dias podem ser celebradas depois em seguida. Todavia, não é necessário que as Santas Missas sejam celebradas pelo mesmo sacerdote, numa mesma igreja e altar.
O essencial é que sejam celebradas trinta Santas Missas por um falecido, em trinta dias consecutivos.
Deus acolhe com mais fervor a oração pelos mortos, do que a que nós lhe dirigimos pelos vivos”. - São Tomás

Exercícios de piedade nas segundas–feiras e no Mês de Novembro
Como nos ensina a Tradição cristã, o costume de fazer piedosos exercícios pelas almas do Purgatório nas segundas-feiras durante o ano todo, e também durante todos os dias do mês de Novembro, neste mês rezamos em especial pelas almas do Purgatório, nestes dias pratiquemos em sufrágio das almas o quanto pudermos; assistir a Santa Missa, receber a Sagrada Comunhão, dar esmolas, fazer a Via Sacra, visitar os doentes, enfim, temos à nossa disposição muitas maneiras de sufragá-las.

Santa Missa
É o maior, mais poderoso e eficaz sufrágio que possamos oferecer a Deus pelos falecidos. É o mesmo Sacrifício do Calvário, na Santa Missa se oferece o próprio Deus para reparar as faltas de toda a humanidade. Pode haver maior sufrágio que a Santa Missa?
Distinguem-se quatro frutos principais do Santo Sacrifício:
Um fruto geral – aplicado a todos os fiéis vivos e falecidos não separados da Comunhão da Igreja;
Um fruto especial – aplicado aos que assistem atualmente a Santa Missa;
Um fruto especialíssimo – aplicado aos que mandam celebrar a Santa Missa e
Um fruto ministerial – que pertence ao celebrante e é alienável.
Vale mais assistir devotamente uma Santa Missa por nós em vida, ou dar espórtula para se celebrar, do que várias Missas após a morte”. - Santo Anselmo
A cada Santa Missa celebrada com devoção, saem muitas almas do Purgatório. E não sofrem tormento algum durante a Missa aplicada por elas”. - São Jerônimo
Os anjos não somente assistem ao Sacrifício da Santa Missa, senão que no fim acodem voando às portas do Purgatório a libertar às almas, às quais Deus aplica a virtude do Santo Sacrifício que se acaba de celebrar”. - São João Crisóstomo
Nenhuma língua humana pode exprimir os frutos de graças que atrai o oferecimento do Santo Sacrifício da Missa”. - São Lourenço Justiniano
Toda Santa Missa diminui teu Purgatório; toda Santa Missa alcança-te um grau de glória no Céu”. - São Bernardo
A Santa Missa é o sol que dissipa as trevas do Purgatório”. - São Francisco de Sales
Na hora da morte, as Santas Missas às quais tiveres assistido, serão a tua maior consolação. Um dos fins da Santa Missa é alcançar para ti o perdão dos teus pecados. Em cada Santa Missa podes diminuir a pena temporal devida aos teus pecados…”. - Santo Agostinho

Comunhão
Sim, depois da Santa Missa, não há sufrágio melhor e mais poderoso para socorrer as pobres almas que a Santa Comunhão. Escreveu São Boaventura: “Que a caridade te leve a comungar, porque nada há tão eficaz para proporcionar descanso aos que padecem no Purgatório”.
A comunhão dignamente recebida é um meio especialíssimo para o sufrágio das almas do Purgatório, pois na Sagrada Comunhão oferecemos o próprio Deus.
Podemos também oferecer a Comunhão Espiritual pelas almas sofredoras.

Penitência e Boas Obras
A penitência além de nos ser necessária, é muito meritória, e podemos oferecê-la em sufrágio das almas do Purgatório.
Oferecer alguns momentos de sede de vez em quando, para matar a sede que as almas do Purgatório têm de Deus.
Mortificar a curiosidade nas leituras, em querer saber tudo, para reparar os pecados cometidos pelas almas por esta falta de mortificação. Dominar a gula, os vícios, etc.
Fazer atos de humildade para reparar o orgulho cometido por tantas almas que sofrem.
Reservar um pouco dos rendimentos para providenciar a celebração da Santa Missa, e para outros atos de caridade em sufrágio das almas do Purgatório.
Assim, tiraremos duplo proveito: a nossa santificação e o alívio das almas sofredoras.
Uma pequena penitência livremente praticada nesta vida é preferível, aos olhos de Deus, a uma grande penitência imposta na outra”. - São Boaventura

Via Sacra
É também um excelente meio de sufrágio para as almas sofredoras, a meditação da Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo nos recorda o Preciosíssimo Sangue derramado pela salvação das almas, e nos faz pedir pelo Sangue de Cristo a libertação das almas do Purgatório.
Se quereis crescer de virtude em virtude, atrair para vossa alma graça sobre graça, entregai-vos muitas vezes ao piedoso exercício da Via Sacra”. - São Boaventura

Esmolas
Socorramos os pobres e necessitados, oferecendo as indulgências recebidas em sufrágio das almas do Purgatório.
Já no Antigo Testamento observamos esta prática.
O anjo disse a Tobias:
A esmola salva da morte, apaga os pecados, tira a alma das trevas, faz-lhe achar graças diante de Deus e lhe assegura a vida eterna”.- Tobias 4, 8-11

Água Benta
O Venerável padre Domingos de Jesus, segundo o costume da Ordem Carmelitana, tinha uma caveira sobre a mesa de sua cela. Certo dia, ao ter aspergido essa caveira com água benta, a mesma começou a bradar em voz alta suplicando: Mais água benta! Porque ela alivia o ardor das chamas horrivelmente dolorosas!
A oração da Igreja intercede por meio da água benta, por isso as almas do Purgatório tanto anseiam pelo uso desta em seu favor.

Nossa Senhora – Uma parte especial à sua Intercessão…
Eu sou a Rainha do Céu, eu sou a Mãe da misericórdia, o caminho por onde voltam os pecadores a Deus. Não há pena no Purgatório que não se alivie e que por Mim não se torne menor do que se o fôra sem Mim”. - Nossa Senhora à Santa Brígida
Cada ano, nas grandes festas, a Mãe de Deus desce ao Purgatório e liberta muitas almas do sofrimento, levando-as para a glória, sobretudo nas festas da Páscoa, do Natal e da Assunção”. - Venerável Dionizio Cartuziano

Escapulário de Nossa Senhora do Carmo
Diz a tradição que na noite do dia 16 de julho de 1251, o Prior Geral dos Carmelitas, São Simão Stock, um homem considerado por todos os Irmãos como um homem de intensa oração, de entrega total, devoção e amor à Mãe do Carmelo, a Virgem Maria, mergulhado na oração, dirigiu-se a Virgem Maria e pediu-lhe a proteção da “Senhora” sobre seus vassalos em tempos de perseguição e dificuldades. Pediu-lhe que ajudasse a seus Irmãos, porque estes sempre se mantinham fiéis a seu serviço e agora necessitavam de sua ajuda. Neste momento, segundo a tradição, rezou esta famosa oração que até hoje os Carmelitas cantam solenemente nas festas:
“Flor do Carmelo, vide florida.
Esplendor do Céu. Virgem Mãe incomparável.
Doce Mãe, mas sempre Virgem,
Sede propicia aos carmelitas, Ó Estrela do Mar”.
Durante esta oração, apareceu-lhe a própria Virgem Maria, rodeada de anjos.
Entregou-lhe o Escapulário que tinha em suas mãos e lhe disse:
Recebe, meu filho muito amado, este Escapulário de tua Ordem, sinal de meu amor, privilégio para ti e para todos os carmelitas: quem com ele morrer, não se perderá. Eis aqui um sinal da minha aliança, salvação nos perigos, aliança de paz e de amor eterno”.
E ainda:
Eu, como terna Mãe dos confrades carmelitas, descerei ao Purgatório no primeiro sábado depois da sua morte e os livrarei e os conduzirei ao Monte Santo da vida eterna”.
Normas Práticas no uso do Escapulário:
O escapulário é imposto só uma vez por um sacerdote, com a imposição passa-se a fazer parte da grande família carmelitana, participando de toda a vida espiritual do Carmelo.
Por ser confeccionado com tecido, o escapulário desgasta-se facilmente; por isso recomenda-se que seja substituído por um novo quando necessário. Este também deverá receber a benção sacerdotal.
Pode ser substituído por uma medalha que represente de uma parte a imagem do Sagrado Coração de Jesus e da outra, a Virgem Maria.
O escapulário compromete com uma vida autêntica de cristãos que se conformam às exigências evangélicas, recebem os Sacramentos, professam uma especial devoção à Santíssima Virgem, expressa ao menos com a recitação diária de três Ave-Marias.
O Escapulário do Carmo não é:
Um amuleto;
Uma garantia automática de salvação;
Uma dispensa de viver as exigências da vida cristã.

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Bibliografia
A Bíblia de Jerusalém
Catecismo da Igreja Católica
BRANDÃO, Monsenhor Ascânio. Tenhamos Compaixão das Pobres Almas. São Paulo, Editora Ave Maria, 2ª edição, 1956.
REIS, Pe. Oliveiros de Jesus. O Purgatório e as Almas que Sofrem. Porto – Portugal, edição do Cavaleiro da Imaculada, 5ª edição.
PEREIRA, Monsenhor Dr. José Basílio. Mês das Almas. Salvador, Bahia, Editora Mensageiro da Fé Ltda, 15ª edição. 1969.
PINTO, Hugo Ferreira. Coração Indulgentíssimo de Jesus – Introdução ao Manual de Indulgências. Petrópolis, Rio de Janeiro, Editora Vozes. 1998.
Manual das Indulgências normas e concessões. São Paulo, Editora Paulus, 3ª edição, 1989.
Sufrágio. Belo Horizonte, Editora da Divina Misericórdia, 1996.

Disponivel em: http://almasdevotas.blogspot.com/p/purgatorio-o-que-e-os-que-morrem-na.html

segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

3h de morte aparente. Frei Daniele Natale: estive no Purgatório, eis o que vi


Wikipedia

Fra Daniele è un Servo di Dio. La sua causa di beatificazione è in corso

"Apresentei-me diante do trono de Deus. Vendo Deus, mas não como um juiz severo, e sim como um Pai afetuoso e amoroso"

Não foi uma tarefa fácil descrever o estado de turbulência em que se encontrava a Clínica Regina Elena de Roma naquele dia de 1952. Ali, frei Daniele Natale, religioso capuchinho de 33 anos, foi internado para a remoção de um câncer de baço. O dr. Riccardo Moretti inicialmente se recusou a realizar a delicada operação porque a doença estava muito avançada, mas a insistência do paciente o levou a tentar de última hora.

Infelizmente, os temores do médico se confirmaram: frei Daniele entrou em coma logo após a cirurgia e morreu três dias depois. Depois que o atestado de óbito foi emitido, parentes e conhecidos se reuniram junto ao corpo sem vida do capuchinho para rezar por ele. Até aqui, nada de estranho. Tudo acontecia dentro da rotina de qualquer hospital. O clamor começou, ou melhor, explodiu três horas depois que a morte do clérigo foi declarada. De repente, o cadáver arrancou o lençol que o cobria, levantou-se com determinação e começou a falar! Todos correram para fora da sala aterrorizados, gritando pelos corredores. Um tumulto sem precedentes eclodiu em todo o hospital. E não foi pouca coisa!

Horas de Purgatório

O próprio frei Daniele narra, com a simplicidade das histórias do Evangelho, o que aconteceu naquele intervalo de três horas. “Apresentei-me diante do trono de Deus, vendo Deus, mas não como um juiz severo, e sim como um Pai afetuoso e amoroso. Então compreendi que o Senhor fez tudo por amor, que cuidou de mim do primeiro ao último momento de minha vida, amando-me como se eu fosse a única criatura existente nesta terra. Também percebi, no entanto, que não só não retribuí esse imenso amor divino, como o negligenciei completamente. Fui condenado a duas ou três horas de Purgatório. Mas como?, perguntei-me, apenas duas ou três horas? E então poderei ficar para sempre perto de Deus Amor eterno? Pulei de alegria e me senti um filho amado”.

No entanto, o júbilo de frei Daniele não durou muito. “A visão desapareceu e eu me encontrei no Purgatório. As duas ou três horas no Purgatório me foram dadas sobretudo por não ter feito o voto de pobreza. Eram dores terríveis que eu não sabia de onde vinham, mas sentia intensamente. Os sentidos que mais ofenderam a Deus neste mundo sentem a maior dor. Era algo para inacreditável porque lá embaixo, no Purgatório, a gente sente como se tivesse um corpo e conhece e reconhece os outros como acontece no mundo”.

“Por que não posso te ver?”

Enquanto isso, continuou o frei Daniele, “apenas alguns momentos daquelas dores passaram e já me parecia que era uma eternidade. O que mais nos faz sofrer no Purgatório não é tanto o fogo, embora tão intenso, mas aquele sentimento de estar longe de Deus, e o que mais dói é ter tido todos os meios disponíveis para a salvação e não ter podido aproveitar. Pensei então em ir a um irmão do meu convento pedir-lhe que rezasse por mim que estava no Purgatório. Aquele irmão ficou maravilhado porque ouviu minha voz, mas não podia ver minha pessoa, e perguntou: Onde você está? Por que não posso te ver? Insisti e, vendo que não tinha outro meio de alcançá-lo, tentei tocá-lo; mas meus braços passavam sem tocá-lo. Só então percebi que estava sem corpo. Contentei-me em insistir que ele rezasse muito por mim e fui embora”.

A aparição de Maria

A situação em que se encontrava o capuchinho parecia não corresponder ao veredicto recebido durante o julgamento particular. “Mas como? Eu estava dizendo a mim mesmo, não era para ser apenas duas ou três horas de purgatório? E já se passaram trezentos anos”.

“De repente – reconstrói o frei – apareceu-me a Bem-Aventurada Virgem Maria e implorei-lhe, implorei-lhe dizendo: Ó santíssima Virgem Maria, mãe de Deus, obtende do Senhor a graça de eu voltar à terra para viver e agir só pelo amor a Deus! Também tomei consciência da presença do Padre Pio e também implorei a ele: por suas dores atrozes, por suas feridas abençoadas, meu Padre Pio, rogai por mim a Deus que me liberte dessas chamas e me permita continuar o purgatório na terra. Então não vi mais nada, mas percebi que o padre estava falando com Nossa Senhora. Depois de alguns momentos, a Santíssima Virgem Maria apareceu para mim novamente: era Nossa Senhora das Graças. Ela reclinou a cabeça e sorriu para mim. Nesse preciso momento tomei posse do meu corpo, abri os olhos e estendi os braços. Então, com um movimento brusco, libertei-me do lençol que me cobria. Fiquei satisfeito, recebi a graça”.

Tumulto na clínica

Tudo isso não era uma fantasia. “Aqueles que me auxiliavam e rezavam por mim, aterrorizados, saíram correndo do salão para procurar enfermeiros e médicos. Em poucos minutos, a clínica estava em turbulência. Todos eles acreditavam que eu era um fantasma. O médico que certificara minha morte entrou. Com lágrimas nos olhos o médico disse: Sim, agora acredito: acredito em Deus, acredito na Igreja, acredito no Padre Pio”.

Quatro décadas de apostolado e sofrimento

Após este episódio. Frei Daniele retomou sua vida de apostolado, como fiel discípulo de São Pio de Pietrelcina, que lhe havia feito esta promessa categórica: ‘aonde você for, eu estarei lá também. O que você diz, eu também digo’. Ele viveu mais quarenta e dois anos e resumiu seu desejo ardente de salvar almas nesta breve oração: “Senhor, dai-me todos os sofrimentos que quiseres, mas um dia deixai-me encontrar no céu todas as pessoas a quem me aproximei”. E quando alguém lhe expressasse alguma dúvida sobre o Purgatório, ele poderia explicar claramente a doutrina da Igreja, mas acima de tudo poderia acrescentar seu testemunho pessoal: “Eu vi o fogo! Eu me senti terrível queimando nas chamas! Muito pior do que o fogo, sofri o terrível tormento de estar separado de Deus!”

Diante dos castigos do Purgatório, os sofrimentos do Servo de Deus frei Daniele Natale nesta terra tornaram-se doces e toleráveis.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2021

As 15 promessas de Nossa Senhora para aqueles que rezarem o rosário

 

Public Domain, Wikipedia / ChurchPOP

Como se precisasse de mais motivos para rezar o rosário, você já ouviu falar das 15 promessas da Virgem Maria para aqueles que o rezarem regularmente?

Quando a Virgem Santíssima apareceu a São Domingos de Gusmão e deu-lhe a devoção do rosário, também lhe deu essas 15 promessas de benefícios espirituais para aqueles que o rezarem.

Pelo menos essa é a história contada desde o século XVII; não foi encontrada nehuma evidência desta história antes do século XV, quando foi popularizada pelo Beato Alano de La Roche.

Note-se que mesmo que as promessas tenham sido dadas por nossa Mãe Santíssima a São Domingos, elas ainda se enquadram na categoria de “revelação privada”, algo que não é uma parte da revelação divina pública, por isso os católicos não são obrigados a acreditar.

De qualquer maneira, essas promessas ainda podem ser tomadas como inspiração para rezar o Rosário.

1) A todos os que rezarem meu Rosário com devoção, prometo minha proteção especial e grandíssimas graças.

2) Aquele que perseverar na oração de meu Rosário receberá uma graça insigne. .

3) O Rosário será uma defesa poderosíssima contra o inferno; destruirá os vícios, libertará do pecado, dissipará as heresias.

4)O Rosário fará florescerem as virtudes e as boas obras, e obterá para as almas a mais abundante misericórdia divina; fará que nos corações o amor ao mundo seja substituído pelo amor a Deus, elevando-os ao desejo dos bens celestes e eternos. Quantas almas se santificarão com esse meio!

5) Quem se confia a mim por meio do Rosário não perecerá.

6) Quem rezar meu Rosário com devoção, meditando seus mistérios, não será oprimido pela desgraça. Pecador, se converterá; justo, crescerá em graças e se tornará digno da vida eterna.

7) Os verdadeiros devotos de meu Rosário não morrerão sem os Sacramentos da Igreja.

8) Aqueles que rezam meu Rosário encontrarão durante sua vida e em sua morte a luz de Deus e a plenitude de suas graças, e participarão dos méritos dos bem-aventurados.

9) Libertarei muito prontamente do purgatório as almas devotadas a meu Rosário.

10) Os verdadeiros filhos de meu Rosário gozarão de uma grande glória no céu.

11) O que pedirem por meio de meu Rosário, obterão.

12) Aqueles que defenderem meu Rosário serão socorridos por mim em todas as suas necessidades.

13) Obtive de meu Filho que todos os membros da Irmandade do Rosário tenham por irmãos, durante a vida e na hora da morte, os santos do céu.

14) Aqueles que rezarem fielmente meu Rosário serão todos meus filhos amantíssimos, irmãos e irmãs de Jesus Cristo.

15) A devoção a meu Rosário é um grande sinal de predestinação”.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2021

Sobre a contrição perfeita



'O retorno do filho pródigo', por Pompeo Batoni (1773)

Pelo Revmo. Pe. Lucas Garcia Pinto, EP


EM SUA INFINITA misericórdia, Deus põe à disposição de seus filhos, para a sua santificação, uma incomensurável quantidade de dons e graças. Desses favores divinos, os mais importantes Ele os dispensa a todo e qualquer fiel, ainda que alguns outros, em sua sabedoria, o Criador os reserve para almas eleitas: é o caso do dom da profecia, de fazer milagres e outros, concedidos apenas em determinadas circunstâncias, de acordo com as necessidades da Santa Igreja.

Já o dom da contrição perfeita é uma graça que está sempre ao alcance de todos os fiéis, sem qualquer exceção. Mais ainda, essa graça é de fundamental importância na vida espiritual de todo batizado.


Entre os livros que tratam do tema, destaca-se o do Padre Johann von den Driesch, intitulado "A Contrição Perfeita, uma chave de ouro para o Céu" (download gratuito da versão digital com os nossos parceiros do Alexandria Católica). Nele, esse fervoroso sacerdote da Arquidiocese de Colônia expõe a doutrina católica a respeito, com a clareza do bom pedagogo e o ardor do apóstolo empenhado na salvação das almas.1



Elementos da contrição autêntica
A contrição – ou arrependimento – é a dor de alma que a pessoa sente por haver pecado; essa dor só é verdadeira quando o pecador detesta a má ação praticada e tem o propósito de não mais pecar. Por exemplo, se um ladrão se diz arrependido de um roubo cometido, mas não tem horror ao crime em si, nem faz o propósito de se corrigir, não se pode afirmar que esteja contrito.


Para ser autêntica, a contrição precisa ser interna, ou seja, provir de fato da alma, não pode reduzir-se a meras palavras pronunciadas sem reflexão.


Deve também ser geral, isto é, abranger todos os pecados, ao menos todos os pecados mortais. É necessário, por fim, que ela seja sobrenatural, quer dizer, que tenha por base alguma verdade da Fé: o temor de Deus que tem o direito de ser obedecido, o amor de Deus que nos ama, o desejo do Céu, o medo do inferno, etc.


Se alguém assalta um banco e depois se arrepende porque está em risco de ser preso, isso não é autêntica contrição, pois se baseia em motivos meramente naturais.


Sua essência: a vontade de afastar-se do pecado


Como acima dissemos, a graça do arrependimento está ao alcance de todos.


Para obtê-la, basta manifestar a Deus com sinceridade de alma o seu pesar por tê-Lo ofendido e o firme propósito de não tornar a pecar.


“A essência da contrição está na alma, na vontade de afastar-se deveras do pecado e converter-se a Deus”, afirma o Padre Johann von den Driesch.



Contrição perfeita e imperfeita
A contrição de um pecador pode ser perfeita ou imperfeita, dependendo dos motivos que o levem a tê-la.


A contrição perfeita procede do amor: o pecador se arrepende pelo fato de ter ofendido a Deus, infinitamente bom e digno de ser amado sobre todas as coisas.


Imperfeita é a contrição que decorre do temor: a pessoa aborrece o pecado pelo medo de perder o Céu e ser lançada no inferno. Por que é chamada de imperfeita? Porque nela o pecador toma em consideração principalmente a si mesmo, e não a Deus.


Exemplos de verdadeira contrição


Vejamos um belíssimo exemplo de contrição perfeita, tirado do Evangelho.


No pátio da casa do sumo sacerdote Caifás, São Pedro negou três vezes a Jesus. Em seguida, saiu e “chorou amargamente” (Mt 26, 75).


Por que chorou São Pedro? Se fosse pelo fato de passar vergonha diante dos outros Apóstolos, seria uma dor meramente natural, não existiria verdadeira contrição. Se fosse por medo de ser excluído do Reino de Cristo, ele teria uma contrição autêntica, mas imperfeita.


Ele chorou, porém, por um motivo muito elevado, como diz o Padre von den Driesch: “Pedro arrepende- se e chora, antes de tudo, porque ofendeu a seu amado Mestre, tão bom, tão santo, tão digno de ser amado […].


Tem, pois, verdadeira e perfeita contrição”.


Os Evangelhos nos narram mais um magnífico exemplo de contrição perfeita: o da pecadora que se prostra aos pés de Jesus, banha-os com suas lágrimas, enxugaos com seus cabelos, beija-os e, por fim, os unge com perfumes. E o Divino Mestre declara que “seus numerosos pecados lhe foram perdoados, porque ela muito amou” (Lc 7, 47).



Contrição perfeita e confissão
Que pela contrição perfeita o pecador obtém o perdão dos seus pecados antes mesmo de confessar-se é doutrina afirmada no Concílio de Trento (14ª sessão, cap. 4).


Entretanto, adverte o mesmo Concílio, ela não dispensa o pecador da necessidade de acusar-se de todos os seus pecados mortais no Sacramento da Confissão e de receber a absolvição do ministro de Deus. De modo que no próprio ato de contrição perfeita deve estar incluído o propósito de confessar-se.2 Quanto tempo depois? É pelo menos muitíssimo aconselhável confessar- se logo que possível.


“Mas é tão difícil ter contrição perfeita!” – poderá alguém pensar.


Puro engano! Para dar-nos essa graça, Deus exige de nós uma atitude bem ao nosso alcance: desejá-la realmente e pedi-la com insistência.


O Padre Johann von den Driesch sugere, entre outras, esta curta oração: “Senhor, dai-me a graça do perfeito arrependimento, da perfeita contrição dos meus pecados”. A quem assim pede, com boa vontade e de coração sincero, Deus não deixará de atender.


Efeitos da contrição perfeita


São maravilhosos os efeitos e benefícios que a contrição perfeita nos obtém.


A quem é pecador, ela perdoa imediatamente os pecados cometidos, devolvendo- lhe a graça santificante pela qual ele volta a ser filho de Deus, livrando- o das penas do inferno e restituindo- lhe os méritos perdidos.


Dir-se-á, então, que a contrição perfeita beneficia apenas a quem cometeu pecado mortal. Não é verdade, pois ela robustece o estado de graça naqueles que não o perderam. Cada ato de contrição perfeita aumenta o grau da graça santificante em nossa alma, tornando-a mais formosa aos olhos de Deus!


* * *
Eis aí, leitor, um imenso dom que Deus deixou ao nosso alcance. Saibamos bem aproveitar esta dádiva celeste, procurando fazer diariamente muitos atos de contrição perfeita. Pois, além dos benefícios enumerados acima, quem se habitua a fazê-los com freqüência os repetirá, por assim dizer, instintivamente na hora da morte.


Portanto, uma prática benéfica também nos casos de pecados veniais, ou até mesmo quanto às imperfeições. Saibamos aproveitar a imensa bondade do Criador que nos dá essa misericordiosa oportunidade de nos apresentarmos diante dEle inteiramente limpos de pecado!


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1. DRIESCH , Johann von den. A Contrição Perfeita – uma chave de ouro para o céu, Tip. São Francisco, Bahia, 1913.2. Cf. DENZINGER – HÜNERMANN, n. 1677.

quinta-feira, 25 de março de 2021

Maria é Mãe de Deus ou de Jesus?



1. Em (João 1,1) diz o seguinte,” No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus e o Verbo era Deus” e em (João 1,14) diz: “ E o Verbo se fez carne e habitou entre nós” Estes dois versos dizem que Deus foi feito carne. A substância da carne de Deus na segunda pessoa, que é Jesus Cristo, veio de onde? Veio de Maria!
2. Quantas pessoas é Jesus Cristo? Uma ou duas? Para acreditar que Maria só deu à luz a Jesus Cristo humano, os protestantes estão dividindo Jesus Cristo em dois, um Jesus humano e um Jesus Divino. Aí está um erro doloroso. Para provar ao contrário, é só conferir na própria Bíblia, em (Filipenses 2,5-7) onde notamos um Deus que é um homem, é também um homem que é Deus. Jesus Cristo é um, e não dois. Lembremo-nos também quando Tomé chama Jesus de “Meu Senhor e meu Deus”, (João 20,28) .
3. Os protestantes ao negar Maria como Mãe de Deus, estão refutando (Lucas 1, 43) da qual, Isabel fala com as palavras dada a ela pelo Espírito Santo. “Donde me vem esta honra de vir a mim a mãe de meu Senhor?”
É importante deixar bem claro que Maria gerou o Homem – Deus (Romanos 9,5) “e todos os Anjos o adoram” (Hebreus 1,6). Maria é, realmente, mãe de Jesus Cristo, homem e Deus, conforme o testemunho da Escritura (Gálatas 4,4). Ela torna-se a mãe da pessoa de Jesus, na plenitude de seu ser humano e divino. Por exemplo: Jesus não disse ao filho da viúva: “a parte de mim que é Divina te diz: Levanta-te! ” Jesus fala simplesmente “Eu te digo: Levanta-te”. Na cruz, Jesus não disse: “minha natureza humana tem sede” mas exclama: “tenho sede”.
Podemos e devemos chamar a Virgem Maria “Mãe de Deus” porque o termo da maternidade não é a natureza, mas a pessoa. E a Pessoa em Cristo é a 2ª da Santíssima Trindade, o Filho. Em Maria se realiza, pois este mistério: ser Ela “Mãe de Deus e de Deus filha. Ela participa do mistério do seu Filho, que é Deus e Homem ao mesmo tempo.
Assim como (Gênesis 3,2-7) apresenta a mulher (Eva) envolvida com o tentador e o pecado para a ruína do gênero humano, assim (Gênesis 3,15) apresenta a mulher (Eva feita Mãe da Vida por excelência ou Eva plenamente realizada em Maria) intimamente associada ao Messias na obra de Redenção do gênero humano. Assim a mulher (Eva, Mãe da Vida), que introduziu o pecado no mundo, será também a introdutora da Salvação ou do Salvador no mundo. O papel de Eva é recapitulado por Maria.
Eva é portadora da desobediência e da morte com o seu “não” a Deus; Maria, ao contrário, traz a fé, alegria e a vida com o seu “sim”. O Anjo mau falou à mulher infiel a Deus, o Anjo Gabriel falou à mulher fiel a Deus; no primeiro caso, a mulher colabora para a morte; no segundo caso, a mulher (a nova Eva, a verdadeira Mãe da vida) colabora para a vida.
“Podemos assim dizer que Maria é o templo do Senhor, o Sacrário do Espírito Santo. O tabernáculo e a Arca da Aliança, são figuras da Virgem Maria. Ela é o sacrário vivo do Espírito Santo, porque se tornou a Mãe do verbo Encarnado. Basta percorrer as páginas das Escrituras para ver que Deus não habita no meio do pecado”.
Portanto, Maria foi pensada, amada e predestinada para ser o templo do Espírito Santo e Mãe do Deus Encarnado.
Se Maria fosse somente um instrumento ou uma mulher comum, como se afirma no protestantismo, o próprio demônio poderia se apresentar a Jesus e dizer: “Onde está sua honra e sua glória?”
Sem sombra de dúvidas, a Bíblia a Tradição e o Magistério da Igreja, deixa bem claro que a Virgem Maria é Mãe de Deus. É claro que não podemos esquecer que, Ela não é Mãe de Deus na Primeira Pessoa, e sim na segunda Pessoa que é Jesus Cristo.