Milagre o Testemunho da Verdade

sábado, 17 de dezembro de 2016

CURA DE UM CEGO DE NASCENÇA

(Jo 9, 1-41)

"1 Ao passar, ele viu um homem, cego de nascença. 2 Seus discípulos lhe perguntaram: 'Rabi, quem pecou, ele ou seus pais, para que nascesse cego?' 3 Jesus respondeu: 'Nem ele nem seus pais pecaram, mas é para que nele sejam manifestadas as obras de Deus. 4 Enquanto é dia, temos de realizar as obras daquele que me enviou; vem a noite, quando ninguém pode trabalhar. Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo'. 6 Tendo dito isso, cuspiu na terra, fez lama com a saliva, aplicou-a sobre os olhos do cego 7 e lhe disse: 'Vai lavar-te na piscina de Siloé - que quer dizer 'Enviado'. O cego foi, lavou-se e voltou vendo. 8 Os vizinhos, então, e os que estavam acostumados a vê-lo antes, porque era mendigo, diziam: 'Não é esse que ficava sentado a mendigar?' 9 Alguns diziam: 'É ele'. Diziam outros: 'Não, mas alguém parecido com ele'. Ele, porém, dizia: 'Sou eu mesmo'. 10 Perguntaram-lhe, então: 'Como se abriram os teus olhos?' 11 Respondeu: 'o homem chamado Jesus fez lama, aplicou-a nos meus olhos e me disse: 'Vai a Siloé e lava-te'. Fui, lavei-me e recobrei a vista'. 12 Disseram-lhe: 'Onde está ele?' Disse: 'Não sei'. 13 Conduziram o que fora cego aos fariseus. 14 Ora, era sábado o dia em que Jesus fizera lama e lhe abrira os olhos. 15 Os fariseus perguntaram-lhe novamente como tinha recobrado a vista. Respondeu-lhes: 'Ele aplicou-me lama nos olhos, lavei-me e vejo'. 16 Diziam, então, alguns dos fariseus: 'Esse homem não vem de Deus, porque não guarda o sábado'. Outros diziam: 'Como pode um homem pecador realizar tais sinais?' E havia cisão entre eles. 17 De novo disseram ao cego: 'Que dizes de quem te abriu os olhos?' Respondeu: 'É um profeta'. 18 Os judeus não creram que ele fora cego enquanto não chamaram os pais do que recuperara a vista 19 e perguntaram-lhes: 'Este é o vosso filho, que dizeis ter nascido cego? Como é que agora ele vê?' 20 Seus pais então responderam: 'sabemos que este é nosso filho e que nasceu cego. 21 Mas como agora ele vê não o sabemos; ou quem lhe abriu os olhos não o sabemos. Interrogai-o. Ele tem idade. Ele mesmo se explicará'. 22 Seus pais assim disseram por medo dos judeus, pois os judeus já tinham combinado que, se alguém reconhecesse Jesus como Cristo, seria expulso da sinagoga. 23 Por isso, seus pais disseram. 'Ele já tem idade; interrogai-o'. 24 Chamaram, então, uma segunda vez, o homem que fora cego e lhe disseram: ' Dá glória a Deus! Sabemos que esse homem é pecador'. 25 Respondeu ele: 'Se é pecador, não sei. Uma coisa eu sei: é que eu era cego e agora vejo'. 26Disseram-lhe, então: 'Que te fez ele? Como te abriu os olhos?' 27 Respondeu-lhes: 'Já vos disse e não ouvistes. Por que quereis ouvir novamente? Por acaso quereis também tornar-vos seus discípulos?' 28 Injuriaram-no e disseram: 'Tu, sim, és seu discípulo; nós somos discípulos de Moisés. 29 Sabemos que Deus falou a Moisés; mas esse, não sabemos de onde é'. 30 Respondeu-lhes o homem: 'Isso é espantoso: vós não sabeis de onde ele é e, no entanto, abriu-me os olhos! 31 Sabemos que Deus não ouve os pecadores; mas se alguém é religioso e faz a sua vontade, a este ele escuta. 32 Jamais se ouviu dizer que alguém tenha aberto os olhos de um cego de nascença. 33 Se esse homem não viesse de Deus, nada poderia fazer'. 34 Responderam-lhe: 'Tu nasceste todo no pecado e nos ensinas?' E o expulsaram. 35 Jesus ouvir dizer que o haviam expulsado. Encontrando-o, disse-lhe: 'Crês no filho do Homem?' 36 Respondeu ele: 'Quem é, Senhor, para que eu nele creia?' 37 Jesus lhe disse: 'Tu o estás vendo, é quem fala contigo'. 38 Exclamou ele: 'Creio, Senhor!' E prostrou-se diante dele. 39Então disse Jesus: 'Para um discernimento é que vim a este mundo: para que os que não vêem, vejam, e os que vêem, tornem-se cegos'. 40 Alguns fariseus, que se achavam com ele, ouviram isso e lhe disseram: 'Acaso também nós somos cegos?' 41Respondeu-lhes Jesus: 'Se fôsseis cegos, não teríeis pecado; mas dizeis: 'Nós vemos!' Vosso pecado permanece".


 

Em Jo 9, 1-3 diz: "Ao passar, ele viu um homem, cego de nascença. Seus discípulos lhe perguntaram: 'Rabi, quem pecou, ele ou seus pais, para que nascesse cego? Jesus respondeu: 'Nem ele nem seus pais pecaram, mas é para que nele sejam manifestadas as obras de Deus".
Nosso Senhor Jesus Cristo passava por uma rua de Jerusalém e viu um homem cego de nascença: "Este homem devia ser ainda jovem, segundo parece pelo tom do relato, e devia de se encontrar num lugar frequentado da cidade, talvez numa das portas exteriores do Templo, e pedia esmola aos transeuntes" (Pe. Francisco Fernández-Carvajal).
Cristo Jesus não passa com indiferente diante daqueles que necessitam de seu apoio: "... ele viu um homem, cego de nascença".
São João Crisóstomo escreve: "Jesus curou o cego ao sair do Templo, porque os judeus não haviam compreendido a sublimidade de suas palavras, querendo... aplacar o furor e abrandar a dureza deles por meio de um milagre. Dava desta maneira testemunho do que se havia dito d'Ele: 'E ao passar Jesus, viu um homem cego de nascimento', etc. Devemos notar aqui, que a primeira ação que faz ao sair do Templo é a obra que devia manifestá-lo ante os homens, porque foi Ele quem viu o cego, não se aproximou d'Ele o cego. E com cuidado o olhou, que ao notar, seus discípulos lhe perguntaram: 'Mestre, quem pecou?', etc" (In Joan. Hom 55).    
 O olhar bondoso do Senhor, que talvez se deteve também, motivou a pergunta dos discípulos: "Rabi, quem pecou, ele ou seus pais, para que nascesse cego?"
O Pe. Francisco Fernández-Carvajal escreve: "Dão como suposto, seguindo o preconceito popular, que a doença tinha a sua origem no pecado. Por curiosidade, queriam saber se o mal foi cometido pelos pais ou pelo filho".
Esta crença estava muito arraigada no povo. E era favorecida por algumas passagens do Antigo Testamento que falam de prêmios para o justo e de castigos para os pecadores, e que geralmente eram entendidas num plano humano e terreno. Alguns rabinos falavam inclusive de uma responsabilidade pré-natal. No livro de Jó, porém, ensina-se que os males temporais não são sempre castigo. Isso é o que dirá o Senhor; inclusive podem ser motivo para que se glorifique a Deus. Assim acontecerá também com a morte de Lázaro, cuja doença não é de morte, mas para glória de Deus (Jo 11, 4); muitos dos judeus que tinham vindo à casa de Maria e viram o que tinha feito, acreditaram nele (Jo 11, 45). Os males entram a fazer parte do plano salvador de Deus. Jesus venceu a dor, a doença, a privação: não os suprimindo do mundo, mas transformando-os em instrumento de salvação.
São Josemaría Escrivá comenta sobre a pergunta que os discípulos fizeram a Nosso Senhor: "Jesus passa e apercebe-se imediatamente da dor. Considerai, em contrapartida, que diferente eram os pensamentos dos discípulos. Perguntam-lhe: Rabi, quem pecou, ele ou seus pais, para que nascesse cego? Não deve causar-nos estranheza que muitos, mesmo pessoas que se têm por cristãs, se comportem de forma parecida. Antes de mais nada, pensam o mal. Sem prova alguma, pressupõem-no. E não só o pensam, como até se atrevem a exprimi-lo num juízo arriscado diante de toda a gente. A conduta dos discípulos poderia, com um pouco de benevolência, ser considerada superficial. Naquela sociedade - como hoje: nisto pouco se mudou - havia outros, os fariseus, que faziam dessa atitude uma norma" (Cristo que passa, n° 67), e: "A pergunta dos discípulos faz-se eco das opiniões dos judeus sobre a causa da doença e das desgraças em geral: consideravam-se castigo dos pecados pessoais (cfr Jo 4, 7-8; 2 Mc 7, 18), ou das faltas dos pais, que recaiam  sobre os filhos (cfr Tb 3, 3)" (Edições Theologica).
Jesus Cristo disse aos discípulos: "Nem ele nem seus pais pecaram, mas é para que nele sejam manifestadas as obras de Deus".
Santo Agostinho escreve: "A palavra Rabí quer dizer Mestre. Eles lhe chamam Mestre, porque o que queriam era aprender, e por isto haviam proposto uma questão ao Senhor, como a seu mestre" ( In Joanem Tract. 44), e: "Eles chegaram a fazer essa pergunta porque em outra ocasião, depois de haver curado o paralítico, lhe havia dito (Jo 5, 14): 'Veja que estás curado, não peques mais'. Eles, pois, pensando que aquele paralítico havia perdido as forças de seus membros, causa de seus pecados, lhe perguntam, agora, se este havia pecado, o qual não era de crer, posto que era cego de nascimento. Ou se haviam pecado seus pais, mas nem ainda este, porque o filho não sofre o castigo que só é devido ao pai. 'Respondeu Jesus: Nem este pecou, nem seus pais" (São João Crisóstomo, Ut supra), e também:  "Acaso havia ele nascido isento da culpa original, ou durante a vida não havia cometido nenhuma? Haviam pecado ele e seus pais, mas não havia nascido cego por castigo de seus pecados. O mesmo Salvador diz a causa pelo qual havia nascido cego: 'A fim de que as obras de Deus se manifestam nele" (Santo Agostinho, Ut supra), e ainda: "Não quer dizer com isso que outros nasceram cegos por causa dos pecados de seus pais, pois não sucede que um homem seja castigado pelo pecado que outro cometera. As palavras 'para que as obras de Deus se manifestem' não se referem à glória de seu Pai, senão à sua própria; pois a glória do Pai se havia manifestado. Mas, acaso este padecia injustamente sua cegueira? Eu entendo que para ele foi um benefício, porque ele viu com os olhos da alma. É evidente que Aquele que lhe havia dado o ser, tirando-o do nada, tinha também poder para deixá-lo assim sem nenhum gênero de injustiça. Segundo alguns expositores, a partícula UT não significa aqui a causa, senão o efeito, o mesmo que naquela outra passagem: Lex subintravit ut abundaret delictum, no sentido de que o Senhor, abrindo os olhos fechados e curando outras enfermidades do corpo, fez brilhar sua glória pela manifestação de seu poder" (São João Crisóstomo, Ut supra), e:  "Há um castigo que fere o pecador de tal sorte, que não há possibilidade de retratação; há outro que o fere para corrigi-lo. Outro há que se aplica, não para castigo das culpas passadas, senão para prevenir as vindouras; outro, que nem castiga as culpas passadas nem previnem as vindouras, senão que se aplica para fazer amar mais ardentemente o poder formoso do Salvador" (São Gregório, Moralium praef. c. 5).
Edições Theologica comenta: "Sabemos pela Revelação (cfr Gn 3, 16-19; Rm 5, 12; etc.) que a origem de todas as desgraças que afligem a humanidade é o pecado: o pecado original e os sucessivos pecados pessoais. Não obstante, isto não quer dizer que cada desgraça ou doença tenha a sua causa imediata num pecado pessoal, como se Deus enviasse ou permitisse os males em relação direta com cada pecado cometido. A dor, que acompanha tantas vezes a vida do justo, pode ser um meio que Deus lhe envia para se purificar das suas imperfeições, para exercitar e robustecer as suas virtudes e para se unir aos padecimentos de Cristo Redentor que, sendo inocente, levou sobre Si o castigo que mereciam os nossos pecados (cfr Is 53, 4; 1 Pd 2, 24; 1 Jo 3, 5). Neste sentido, a Santíssima Virgem, São José e todos os santos experimentaram intensamente a dor como participação no sofrimento redentor de Cristo", e: "Nem sempre os males e enfermidades da vida são castigos do pecado. Muitas vezes são para nós um motivo de merecimento e de maior glória para Deus. Tal foi o caso da Santíssima Virgem, de Jó, Tobias e muitos outros" (Dom Duarte Leopoldo).
Em Jo 9, 4-5 diz: "Enquanto é dia, temos de realizar as obras daquele que me enviou; vem a noite, quando ninguém pode trabalhar. Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo".
Jesus fez então uma referência ao pouco tempo que estaria na terra. A morte avizinha-se: "Enquanto é dia, temos de realizar as obras daquele que me enviou; vem a noite, quando ninguém pode trabalhar". O dia refere-se à vida terrena de Jesus. Daqui a urgência que a Si mesmo se impõe de realizar acabadamente a vontade do Pai antes que chegue a morte, que compara com a noite. "Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo". É também a luz para aquele pobre cego que, sem petição alguma, vai curar.
Dom Duarte Leopoldo escreve: "Enquanto é dia... isto é, enquanto estou no mundo, de modo visível", e: "O 'dia' refere-se à vida terrena de Jesus. Daqui a urgência que a Si mesmo se impõe de realizar a Vontade do Pai antes que chegue a Sua morte, que compara com a noite. Também se pode entender que a noite se refere ao fim deste mundo; neste sentido o passo significa que a Redenção dos homens realizada por Cristo deve ser continuada pela Igreja ao longo dos tempos, e que também os cristãos devem esforçar-se por estender o Reino de Deus... Jesus proclama-Se a Luz do mundo porque a Sua vida entre os homens nos deu o sentido último do mundo, da vida de cada homem e da humanidade inteira. Sem Jesus toda a criatura está às escuras, não encontra o sentido do seu ser, nem sabe aonde vai" (Edições Theologica), e também: "Sois luz eterna, luz de sabedoria que, falando através da nuvem da carne, dizeis aos homens: 'Eu sou a luz do mundo, quem me segue não anda em trevas, mas terá a luz da vida" (Santo Agostinho, Em Jo 34), e ainda:  "E como Ele havia dito, falando de si mesmo: 'Para que as obras de Deus se manifestem', e: 'É necessário que eu realize as obras d'Aquele que me enviou'; é dizer, é necessário que eu me manifeste a mim mesmo... fazendo as mesmas obras que meu Pai" (São João Crisóstomo, Ut supra), e: "O Filho, afirmando que faz as obras de seu Pai, manifesta assim que suas obras são as mesmas que as de seu Pai, e como curar aos enfermos, fortalecer aos débeis e iluminar aos homens"(São Beda), e também: "Pelas palavras: 'Aquele que me enviou', dá toda a glória Àquele de quem procede, porque o Pai tem um Filho que é seu, enquanto que Ele mesmo não procede de alguém" (Santo Agostinho, Ut supra), e ainda:             "Prossegue o texto sagrado: 'enquanto é de dia', é dizer, enquanto é permitido aos homens crer em mim, ou enquanto dure esta vida, ' convém que eu realize'. E isto mesmo dá a entender nas seguintes palavras: 'Virá a noite quando ninguém poderá realizar'. Disse noite, segunda as palavras de São Mateus 22, 13: 'Lançai-o nas trevas exteriores'. Ali será noite em que ninguém poderá realizar, senão receber a recompensa de suas obras. Se há de fazer alguma coisa, faça enquanto dura a vida, pois concluída esta, não haverá já nem fé, nem trabalhos, nem arrependimento" (São João Crisóstomo, Ut supra), e: "Se nós trabalhamos durante esta vida, este é o dia, este é Cristo. Por isso diz: 'Enquanto estou no mundo'. Eis que Ele é o dia mesmo. Este dia, que acaba com uma volta do sol, tem poucas horas. O dia da presença de Cristo dura até a consumação dos séculos; porque Ele mesmo o disse (Mt 28, 20): 'Eis que estarei com vocês até a consumação dos séculos" (Santo Agostinho, Ut supra).
Em Jo 9, 6-7 diz: "Tendo dito isso, cuspiu na terra, fez lama com a saliva, aplicou-a sobre os olhos do cego e lhe disse: 'Vai lavar-te na piscina de Siloé - que quer dizer 'Enviado'. O cego foi, lavou-se e voltou vendo".
A piscina de Siloé era um tanque construído pelo rei Ezequias no século VII a. C. para o abastecimento de água de Jerusalém (cfr. 2 Rs 20, 20; 2 Cr 32, 30). Uma tradição constante assinala de maneira certa o lugar da sua colocação.
O tanque é um recipiente quadrangular; mede uns vinte e quatro metros de cumprimento por cinco de largura e cinco de profundidade. A água chega por um canal subterrâneo, talhado na rocha, de uns 530 metros de longitude. Este túnel foi descoberto em 1886. As águas da piscina tinham noutro tempo fama de ser doces e curativas.
O nome de Siloé, Shiloah, propriamente é ativo, o que envia, e chamou-se assim primeiramente ao canal subterrâneo que construiu Ezequias (721-693 a. C.). Através dele ia a água desde a fonte Gihon, hoje fonte da Virgem. Mais tarde deu-se o nome também à piscina.
Depois do cativeiro de Babilônia, talvez nos dias de Herodes, foi construído sobre a piscina um templete, cujo teto era formado por largas lousas. No século V da nossa era, erigiu-se no mesmo sitio uma basílica dedicada a Cristo Luz do mundo, em memória deste milagre. Foi descoberto nas escavações realizadas em 1886. Achou-se uma igreja de três naves, que foi restaurada pelo imperador Justiniano. Foi destruída pelos persas e não voltou a ser reconstruída.
Dom Duarte Leopoldo comenta: "A piscina de Siloé é um símbolo do Sacramento da Penitência, onde os pecadores se lavam das suas culpas nas lágrimas do arrependimento. Fonte de luz e de vida, Jesus, o Enviado, é a verdadeira fonte de Siloé. - Evidentemente nem este pouco de barro, nem as águas de Siloé podiam curar um cego de nascimento. Era, pois, criminosa cegueira a obstinação dos que não queriam reconhecer o milagre e, portanto, a divindade de Jesus. É, de fato, extraordinário, este novo remédio contra a cegueira. Simples e fácil, nós o recomendamos aos médicos materialistas".
Edições Theologica comenta: "A cura realiza-se em duas etapas: a ação de Jesus sobre os olhos do cego e o mandato de se lavar na piscina de Siloé. Nosso Senhor tinha utilizado também a saliva para curar o surdo-mudo (cfr. Mc 7, 33) e um cego (cfr. Mc 8, 33).O mandato que o Senhor dá ao cego evoca o milagre de Naaman, general  sírio que foi curado da sua lepra quando, por indicação do próprio Eliseu, se lavou sete vezes nas águas do Jordão (cfr. 2 Rs 5, 1ss.). Aquele tinha titubeado antes de obedecer; o cego, pelo contrário, obedece com prontidão e sem replicar", e: "Que belo exemplo de firmeza na fé nos dá este cego! Uma fé viva, operativa. É assim que te comportas com os mandatos de Deus, quando muitas vezes estás cego, quando nas preocupações da tua alma se oculta a luz? Que poder continha a água, para que os olhos ficassem curados ao serem umedecidos? Teria sido mais adequado um colírio desconhecido, um medicamento precioso preparado no laboratório dum sábio alquimista. Mas aquele homem crê, põe em prática o que Deus lhe ordena e volta com os olhos cheiros de claridade" (São Josemaría Escrivá, Amigos de Deus, n° 193), e também:"Alguns opinam que esta lama não caiu, senão que se converteu em olhos" (Teofilacto), e ainda: "O gênero humano está representado neste cego, e esta vem pelo pecado do primeiro homem, de quem todos descendemos. É, pois, um cego de nascimento. O Senhor cuspiu na terra e com a saliva fez lama, 'porque o Verbo se fez carne' (Jo 1, 14). Colocou a lama nos olhos do cego de nascimento. Teria posto a lama e ainda não enxergava, porque quando a colocou, possivelmente o fez catecúmeno. O enviou à piscina que se chama Siloé, porque foi batizado em Cristo, e foi então quando o iluminou. Tocava ao Evangelista o dar-nos a conhecer o nome  desta piscina, e por isso disse: 'Que quer dizer Enviado', porque se Aquele não houvesse sido enviado, ninguém de nós haveria sido absolvido do pecado" (Santo Agostinho, Ut supra), e: "A saliva significa o sabor da contemplação íntima, a qual baixa desde a cabeça à boca, porque desde a altura da glória é de onde vem Deus a nós pelas doçuras da revelação, enquanto estamos nesta vida. O Senhor misturou sua saliva com a terra e devolveu assim a vista ao cego de nascença; porque misturando a contemplação de sua verdade com nosso pensamento, é como a graça sobrenatural que irradia em nós. E curando o homem de sua natural cegueira, ilumina sua inteligência" (São Gergório, Moralium 8, 21).
Em Jo 9, 8-34 diz: "Os vizinhos, então, e os que estavam acostumados a vê-lo antes, porque era mendigo, diziam: 'Não é esse que ficava sentado a mendigar?' Alguns diziam: 'É ele'. Diziam outros: 'Não, mas alguém parecido com ele'. Ele, porém, dizia: 'Sou eu mesmo'. Perguntaram-lhe, então: 'Como se abriram os teus olhos?' Respondeu: 'o homem chamado Jesus fez lama, aplicou-a nos meus olhos e me disse: 'Vai a Siloé e lava-te'. Fui, lavei-me e recobrei a vista'. Disseram-lhe: 'Onde está ele?' Disse: 'Não sei'. Conduziram o que fora cego aos fariseus.  Ora, era sábado o dia em que Jesus fizera lama e lhe abrira os olhos.  Os fariseus perguntaram-lhe novamente como tinha recobrado a vista. Respondeu-lhes: 'Ele aplicou-me lama nos olhos, lavei-me e vejo'. Diziam, então, alguns dos fariseus: 'Esse homem não vem de Deus, porque não guarda o sábado'. Outros diziam: 'Como pode um homem pecador realizar tais sinais?' E havia cisão entre eles. De novo disseram ao cego: 'Que dizes de quem te abriu os olhos?' Respondeu: 'É um profeta'. Os judeus não creram que ele fora cego enquanto não chamaram os pais do que recuperara a vista e perguntaram-lhes: 'Este é o vosso filho, que dizeis ter nascido cego? Como é que agora ele vê?' Seus pais então responderam: 'sabemos que este é nosso filho e que nasceu cego. Mas como agora ele vê não o sabemos; ou quem lhe abriu os olhos não o sabemos. Interrogai-o. Ele tem idade. Ele mesmo se explicará'. Seus pais assim disseram por medo dos judeus, pois os judeus já tinham combinado que, se alguém reconhecesse Jesus como Cristo, seria expulso da sinagoga. Por isso, seus pais disseram. 'Ele já tem idade; interrogai-o'. Chamaram, então, uma segunda vez, o homem que fora cego e lhe disseram: ' Dá glória a Deus! Sabemos que esse homem é pecador'. Respondeu ele: 'Se é pecador, não sei. Uma coisa eu sei: é que eu era cego e agora vejo'. Disseram-lhe, então: 'Que te fez ele? Como te abriu os olhos?' Respondeu-lhes: 'Já vos disse e não ouvistes. Por que quereis ouvir novamente? Por acaso quereis também tornar-vos seus discípulos?' Injuriaram-no e disseram: 'Tu, sim, és seu discípulo; nós somos discípulos de Moisés. Sabemos que Deus falou a Moisés; mas esse, não sabemos de onde é'. Respondeu-lhes o homem: 'Isso é espantoso: vós não sabeis de onde ele é e, no entanto, abriu-me os olhos! Sabemos que Deus não ouve os pecadores; mas se alguém é religioso e faz a sua vontade, a este ele escuta. Jamais se ouviu dizer que alguém tenha aberto os olhos de um cego de nascença. Se esse homem não viesse de Deus, nada poderia fazer'. Responderam-lhe: 'Tu nasceste todo no pecado e nos ensinas?' E o expulsaram".
Depois de narrar o milagre, o Evangelho refere às dúvidas dos vizinhos e conhecidos do cego (vv. 8-12) e a investigação que fazem os fariseus: interrogatório ao cego curado (vv. 13-17), aos seus pais (vv. 18-23) e de novo ao cego, a quem terminam condenando e expulsando-o da sua presença (vv. 24-34). O passo contém tal precisão de pormenores que manifesta claramente a espontaneidade de uma testemunha que presenciou e viveu o acontecimento.
Os Santos Padres e Doutores da Igreja viram simbolizado neste milagre o sacramento do batismo, no qual, por meio da água, a alma fica limpa e recebe a luz da fé: "Envia-o à piscina, que se chama de Siloé, para que se lave e para que seja iluminado, isto é, para que seja batizado e receba no batismo a iluminação plena" (Santo Tomás de Aquino, Comentário sobre São João, ad loc.).
Edições Theologica comenta: "O episódio reflete, por outro lado, as diversas posições diante do Senhor e dos Seus milagres. O cego, de coração simples, crê em Jesus como enviado, profeta (vv. 17. 33) e Filho de Deus (vv. 17. 33. 38). Os fariseus, pelo contrário, obstinam-se em não querer ver nem crer, inclusivamente perante a evidência dos fatos (vv. 24-34). Neste milagre, Jesus revela-Se de novo como luz do mundo. Comprova-se a afirmação do Prólogo: 'Era a luz verdadeira que ilumina todo o homem, que vem a este mundo' (1, 9). Não só dá a luz aos olhos do cego, mas ilumina-o interiormente levando-o a um ato de fé na Sua divindade (v. 38). Ao mesmo tempo fica patente o drama profundo daqueles que se obcecam na sua cegueira, tal como o tinha anunciado no diálogo com Nicodemos: 'Veio a luz ao mundo e os homens amaram mais as trevas que a luz, já que as suas obras eram más' (Jo 3, 19)".
Era sábado o dia em que Nosso Senhor Jesus Cristo abrira os olhos do cego:"Ora, era sábado o dia em que Jesus fizera lama e lhe abrira os olhos. Os fariseus perguntaram-lhe novamente como tinha recobrado a vista. Respondeu-lhes: 'Ele aplicou-me lama nos olhos, lavei-me e vejo'. Diziam, então, alguns dos fariseus: 'Esse homem não vem de Deus, porque não guarda o sábado'. Outros diziam: 'Como pode um homem pecador realizar tais sinais?' E havia cisão entre eles".
Dom Duarte Leopoldo escreve: "Os fariseus reconhecem o milagre, não podem contestar o fato. Mas, desviando a questão, insultam a quem o tinha praticado - processo, aliás, muito do gosto de certos inimigos da Igreja", e: "Os fariseus aduzem a mesma acusação que na cura do paralítico da piscina (Jo 5, 10) e que noutras ocasiões: Jesus é um transgressor da Lei porque não guarda o sábado ao curar os doentes (cfr. Lc 13, 16; 14, 5). Cristo tinha ensinado muitas vezes que a observância do descanso sabático (cfr Ex 20, 8. 11; 21, 13; Dt 5, 14) não se opõe à obrigação de fazer o bem (cfr. Mt 12, 3-8; Mc 2, 28; Lc 6, 5). Por cima de todos os preceitos está a caridade, o bem dos homens. Pelo contrário, quando a norma se antepõe de maneira cega às obrigações evidentes de justiça e de caridade, cai-se no fanatismo, que sempre se opõe ao Evangelho, e mesmo à reta razão. É o que acontece com os fariseus neste caso: fecham-se nas suas idéias até ao ponto de não quererem ver a mão de Deus num fato que mostra de modo razoável que só pode ser realizado pelo poder divino. O dilema que se lhes põe sobre Jesus - se é um homem de Deus pelos milagres que faz, ou um pecador por não observar o sábado (cfr Mc 3, 23-30) - só é possível dentro de uma mentalidade completamente dominada pelo fanatismo religioso. A interpretação errada do cumprimento de alguns preceitos tinha-os levado a não compreender o essencial da Lei: o amor a Deus e o amor ao próximo. Os fariseus, para não aceitarem a divindade de Jesus, rejeitam a única interpretação correta do milagre. O cego, pelo contrário - como as almas abertas sem preconceito à verdade -, encontra no milagre um apoio firme para confessar que Cristo opera com poder divino (Jo 9, 33)"(Edições Theologica).
Os fariseus chamam o homem que fora curado por Cristo Jesus: "Chamaram, então, uma segunda vez, o homem que fora cego e lhe disseram: 'Dá glória a Deus! Sabemos que esse homem é pecador".
Dom Duarte Leopoldo escreve: "Dá glória a Deus... É uma locução hebraica que significa - confessa a verdade, para glória de Deus", e: "Dá glória a Deus': Solene declaração, a modo de juramento, com que se exortava a dizer a verdade. Não obstante, os fariseus não buscavam a verdade, mas intimidar o cego para que se desdissesse do confessado. Agora forçam a sua consciência advertindo-o: 'Nós sabemos que esse homem é pecador"(Edições Theologica), e também: "Que pretendem ao dizer: Dá glória a Deus? Que negue o benefício recebido. Isto não é certamente dar glória a Deus, mas antes blasfemar contra Deus" (Santo Agostinho, In Ioann. Evang. 44, 11).
Todo o interrogatório mostra que o milagre foi tão patente que nem sequer os adversários puderam negá-lo: "Respondeu ele: 'Se é pecador, não sei. Uma coisa eu sei: é que eu era cego e agora vejo'. Disseram-lhe, então: 'Que te fez ele? Como te abriu os olhos?' Respondeu-lhes: 'Já vos disse e não ouvistes. Por que quereis ouvir novamente? Por acaso quereis também tornar-vos seus discípulos?' Injuriaram-no e disseram: 'Tu, sim, és seu discípulo; nós somos discípulos de Moisés. Sabemos que Deus falou a Moisés; mas esse, não sabemos de onde é'. Respondeu-lhes o homem: 'Isso é espantoso: vós não sabeis de onde ele é e, no entanto, abriu-me os olhos! Sabemos que Deus não ouve os pecadores; mas. Se alguém é religioso e faz a sua vontade, a este ele escuta. Jamais se ouviu dizer que alguém tenha aberto os olhos de um cego de nascença. Se esse homem não viesse de Deus, nada poderia fazer'.  Responderam-lhe: 'Tu nasceste todo no pecado e nos ensinas?' E o expulsaram".
"Sabemos que Deus não ouve os pecadores..."
Dom Duarte Leopoldo comenta: "Pouco instruído, ainda que inteligente, não dizia este homem uma verdade, porque o pecador arrependido é sempre ouvido, quando pede o perdão das suas culpas. Entretanto, as suas palavras são verdadeiras no sentido de que Deus não pode confirmar com um milagre a mentira e a hipocrisia. Se Jesus fosse um pecador, um homem mau, não lhe teria aberto os olhos de modo tão prodigioso. Que esta era a sua intenção, ao proferir aquelas palavras, prova-o a continuação do texto".
Nosso Senhor durante o Seu ministério público fez muitos milagres, manifestando assim a Sua onipotência sobre todas as coisas ou, o que é o mesmo, a Sua divindade. Perante a atitude racionalista que não aceita, por um falso princípio filosófico, a intervenção sobrenatural de Deus neste mundo e, portanto, a possibilidade do milagre, o Magistério da Igreja ensinou sempre a existência e o valor dos milagres: "Quis Deus que aos auxílios internos do Espírito Santo se juntassem argumentos externos da Sua Revelação, a saber, fatos divinos e, antes de mais, os milagres e as profecias que, mostrando luminosamente a onipotência e a ciência infinita de Deus, são sinais certíssimos da Revelação divina e acomodados à inteligência de todos... Se alguém disser que não se pode dar nenhum milagre e que portanto todas as narrações sobre eles, mesmo as contidas na Sagrada Escritura, há que relegá-las entre as fábulas ou os mitos, ou que os milagres não podem nunca ser conhecidos com certeza e que com eles não se prova legitimamente a origem divina da religião cristã, seja anátema" (Dei Filius, cap. 3 e can. 4).
"Sabemos que Deus falou a Moisés; mas esse, não sabemos de onde é".
São Josemaría Escrivá escreve: "O pecado dos fariseus não consistia em não verem Deus em Cristo, mas em encerrarem-se voluntariamente em si mesmos, em não tolerarem que Jesus, que é luz, lhes abrisse os olhos" (Cristo que passa, n° 71), e: "O fato miraculoso é igualmente válido para todos, mas a contumácia daqueles fariseus não se rende diante da significação do fato, nem sequer depois das averiguações realizadas com os pais e o próprio cego... Em todo este episódio, assim como há um processo de aprofundamento na fé por parte do cego, que começa a reconhecer Jesus como Profeta (v. 17) e culmina na confissão da Sua divindade (v. 35), há também um processo contrário de obstinação naqueles judeus: desde a dúvida (v. 16), passando pela afirmação blasfema de que Jesus é um pecador (v. 24), até terminar por expulsarem o mendigo (v. 34). É preciso que os homens estejam atentos a esse grande inimigo, a soberba, que cega os olhos e impede de ver até o mais evidente" (Edições Theologica).
"Responderam-lhe: 'Tu nasceste todo no pecado e nos ensinas?' E o expulsaram".
Depois do exílio de Babilônia (século VI a. C.) existia entre os judeus o costume de expulsar da sinagoga aqueles que cometiam certos delitos: "Fazia-se de duas formas: a exclusão temporária durante 30 dias como medida disciplinar, e a exclusão definitiva, que se poria em prática com frequência contra os judeus que se convertessem ao cristianismo. Aqui parece que se refere a esta expulsão definitiva, tal como o tinham combinado (v. 22), e pode comprovar-se por outros dados do Evangelho (cfr. 12, 42; 16, 2; Lc 6, 22)" (Edições Theologica), e: "Na verdade, expulsá-lo era mais fácil do que responder aos seus argumentos. - Diz a Tradição que este cego foi mais tarde o bispo Sidônio, coadjutor de São Maximino, na Provença, para onde veio em companhia de Lázaro, Marta e Maria" (Dom Duarte Leopoldo).
 Nosso Senhor Jesus Cristo encontra o homem que Ele havia curado: "Jesus ouviu dizer que o haviam expulsado. Encontrando-o, disse-lhe: 'Crês no filho do Homem?' Respondeu ele: 'Quem é, Senhor, para que eu nele creia?' Jesus lhe disse: 'Tu o estás vendo, é quem fala contigo'. Exclamou ele: 'Creio, Senhor!' E prostrou-se diante dele".
Edições Theologica comenta: "Não parece casual este encontro com Jesus. Os fariseus expulsaram da sinagoga o cego curado; mas o Senhor, além de o acolher, ajuda-o a fazer um ato de fé na Sua divindade", e: "Lavada finalmente a face do coração e purificada a consciência, reconhece-o não só filho de homem, mas Filho de Deus" (Santo Agostinho, In Ioann. Evang., 44, 15).
"Então disse Jesus: 'Para um discernimento é que vim a este mundo: para que os que não vêem, vejam, e os que vêem, tornem-se cegos".
Dom Duarte Leopoldo escreve: "Justo juiz de Deus, pelo qual os humildes e ignorantes recebem a luz da fé, ao passo que os orgulhosos, os que julgam possuir a luz, inchados da sua ciência, caem na mais completa cegueira", e: "Perante o contraste entre a fé do cego e a obstinação dos fariseus, o Senhor pronuncia esta sentença. Ele não foi enviado para condenar o mundo, mas para o salvar (cfr. Jo 3, 17); mas a Sua presença entre nós comporta já um juízo, porque cada homem há de tomar diante d'Ele uma destas duas atitudes: de aceitação ou de rejeição. Cristo foi posto para ruína de uns e salvação de outros (cfr. Lc 2, 34). Deste modo, estabelece-se uma diferenciação entre os homens (cfr. Jo 3, 18-21; 12, 47-48). Por um lado, os humildes de coração (cfr. Mt 11, 25) que, reconhecendo as suas misérias, acorrem a Jesus em busca do perdão: estes gozarão daquela luz. Por outro lado, os que, satisfeitos de si mesmos, pensam que não necessitam de Cristo nem da Sua palavra; estes que dizem ver são na realidade cegos. Desta maneira somos nós os homens que com a fé ou a rejeição de Jesus preparamos a nossa sorte última" (Edições Theologica).
 "Alguns fariseus, que se achavam com ele, ouviram isso e lhe disseram: 'Acaso também nós somos cegos:' Respondeu-lhes Jesus: 'Se fôsseis cegos, não teríeis pecado; mas dizeis: 'Nós vemos!' Vosso pecado permanece".
Edições Theologica comenta: "As palavras de Jesus produziram uma forte impressão entre os fariseus, desejosos de encontrar nos Seus ensinamentos algum motivo de condenação. Dando-se conta de que Se referia a eles, voltam a interrogá-Lo. A resposta do Senhor é clara: eles podem ver mas não querem; daí a sua culpabilidade", e: "Se conhecêsseis a vossa cegueira e vos considerásseis cegos e recorrêsseis ao médico, não teríeis pecado, porque Eu vim tirar o pecado; mas porque dizeis enxergamos, por isso permanece o vosso pecado. Por quê? Porque dizendo enxergamos não recorreis ao médico e assim ficareis na vossa cegueira" (Santo Agostinho, In Ioann. Evang., 45, 17).
O Pe. Francisco Fernández-Carvajal escreve: "Os piores cegos são os que não querem ver. E isto acontecia com aqueles homens que dispunham de toda a ciência da escritura e do testemunho dos milagres para ter visto o Messias, que estava às suas portas. Em vez de olhar para Cristo que passava tão perto, ficaram a discutir sobre o barro que tinha feito em dia de sábado. Realmente estavam cegos".


Pe. Divino Antônio Lopes FP.
Anápolis, 18 de outubro de 2007

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Conheça os Vacilos de Santos e Profetas da Bíblia!


donald anjo
Ele foi ungido pelo Altíssimo, tinha grana, poder e muitas mulheres. Mas nem assim aquietou o facho. Cutucou a mulher alheia e ainda providenciou a morte do marido traído (II Sm 11). Trata-se de um crápula, um homem cujo destino só pode ser queimar no máaaaarrrmore do inferno, certo? Errado! Apesar desta sucessão de graves pecados, o rei Davi viveu e morreu no amor de Deus.
Ele pagou bem caro, é verdade, pelos seus erros. Em sua família, nunca houve paz: três de seus filhos morreram, e um deles sequestrou e dormiu com todas as suas concubinas. De incesto a assassinato entre irmãos, diversas tragédias abalaram a casa de Davi. Era uma família nada unida e muito ouriçada…
Porém, na vida de Davi, a graça foi muito maior do que o pecado. Se o rei muito pecou, também é verdade que muito amou. Dedicou quase toda a vida a fazer cumprir o plano de Deus para Israel, arrependia-se sinceramente de seus pecados, fazia penitência com rigor e aceitava sem reclamar os castigos recebidos; ouvia o conselho dos profetas, tinha reverência pelas coisas santas e procurava ser justo. Acima de tudo, não era hipócrita: Davi amava ao Senhor de todo o coração.
“Ah, fala sério… Amava Deus onde? Davi cometeu assassinato, adultério, onde o amor se encaixa aí?”. Sim, é desconcertante. Mas o amor de Davi por Deus era verdadeiro – tanto que o homi recebeu de Deus a promessa de que o Messias nasceria da sua descendência. Da mesma forma, era verdadeiro o amor de Pedro que, mesmo triste envergonhado por ter negado o Mestre três vezes, disse: “Senhor, sabes tudo, tu sabes que te amo” (Jo 21,17).
Mas não é só Davi que tem a ficha suja. Pisada de bola na Bíblia é o que não falta – e não estou falando dos “bandidos”, mas sim dos “mocinhos” – os profetas e santos. Confira a seguir.
VACILOS DOS ELEITOS NO ANTIGO TESTAMENTO
  • Moisés – Teve medo da missão e tentou de todo o jeito se descomprometer de seu chamado (Ex 3 e Ex  4,1-16).
  • Pecou por falta de fé no episódio das águas de Meribá (Nm 20,1-13), e por isso morreu antes de entrar na Terra Prometida.
  • Elias – Sentiu desânimo (1 Rs 19,1-4).
  • Jeremias – Sentiu desânimo e queria abandonar a missão profética (Jr 20,7-17).
  • Jonas – teve medo da missão e buscou fugir (Jn 1,3). Por falta de misericórdia (Jn 4), se irritou quando Deus, ao ver que o povo de Nínive estava mudando de conduta, resolveu não mais aniquilar a cidade.
VACILOS DOS ELEITOS NO NOVO TESTAMENTO
“Em seguida, voltaram para Cafarnaum. Quando já estava em casa, Jesus perguntou-lhes: De que faláveis pelo caminho? Mas eles calaram-se, porque pelo caminho haviam discutido entre si qual deles seria o maior. Sentando-se, chamou os Doze e disse-lhes: Se alguém quer ser o primeiro, seja o último de todos e o servo de todos.”
– Mc 9,33-35
Nos evangelhos, vemos que os Apóstolos viviam tomando pito de Jesus: um pela falta de fé, outro pela inteligência débil, outro pela vaidade… Entretanto, mais do que manchas na biografia dos santos, esses relatos pouco louváveis nos encorajam em nossa própria caminhada, pois evidenciam que nenhum limite humano pode ser maior do que o poder do Espírito de transformar os corações.
  • Zacarias – pecou por falta de fé (Lc 1,1-25), por isso foi castigado por uma mudez temporária.
  • São Tomé – pecou por a falta de fé, ao não acreditar no testemunho da Ressurreição ( Jo 20,24-31).
  • São Pedro – apresentou uma fé vacilante e afundou nas águas (Mt 14,22-31). Tinha excesso de auto-confiança em sua capacidade de ser fiel ao Senhor (Mt 26,31-35), mas o negou três vezes (Mt 26,69-75). Se apegou às práticas judaizantes, demostrando hipocrisia (At 10,1-28; Gálatas 2).
  • São Tiago e São João – Demostraram vaidade (Mt 20,20-27 e Mc 10,35-45).
Somos um povo a caminho: avançamos, tropeçamos em algumas pedras, caímos vez por outra… Mas não devemos parar jamais de caminhar. De fato, todo aquele que grita através das trevas de sua alma será iluminado: “Meu sacrifício, ó Senhor, é um espírito contrito, um coração arrependido e humilhado, ó Deus, que não haveis de desprezar” (Sl 50,19).
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A misericórdia de Deus é um desafio ao nosso moralismo. Muitas vezes, concebemos o cristianismo como um conjunto de regras, que nos esforçamos para seguir, somadas a uma lista de “coisas feias” que devemos evitar. Grande engano! O cristianismo possui uma moral a seguida, mas ele É MUITO MAIS DO QUE UM CÓDIGO MORAL.
Antes de tudo, ser cristão é reconhecer que Jesus está presente, que Ele vive, que Ele nos conduz pela mão em cada momento de nossa vida. E esse reconhecimento nos leva a amar Jesus Cristo, e nos faz viver as coisas com uma alegria antes impossível, com uma nova consciência – o trabalho, os estudos, o namoro, as amizades. Com o tempo, isso nos liberta cada vez mais do nosso nada, das nossas fraquezas.
É bem frisar: ao moralismo, não é razoável contrapor a heresia luterana de que basta ter fé em Cristo para sermos salvos, ainda que não sigamos os Seus ensinamentos(Sola Fide). Como bem disse São Tiago, a fé sem obras é morta, pois até os demônios têm esse tipo de fé (Tg 2,19). E, antes dele, Jesus já ensinava: “Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é que me ama” (Jo 14,21).
Como vimos, nem todo eleito de Deus passou a vida inteira sem cometer pecado mortal – alguns santos têm a ficha suja. Mas, por meio da oração, da caridade e da penitência, Jesus vence em nós

Diz que “religião não salva”, mas vive no culto. Poser!


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Certamente você já ouviu alguém dizendo que “religião não salva”, quem salva é Jesus. Essa afirmação é tão boçal quanto dizer que hospital não salva a vida dos doentes, quem salva é o médico.
Claro que quem salva os pecadores é Jesus. E quem salva o doente é o médico – em casos extremos, ele faz isso até no meio da rua. Mas qual é o lugar ideal para o médico atuar? Qual o ambiente mais adequado e com os melhores recursos para atender os doentes e feridos? O hospital, é obvio! Portanto, quem deseja a salvação da sua alma deve buscar Jesus na Igreja, assim como os doentes e feridos buscam o médico no hospital.
Pois é  por meio da Igreja Católica que Jesus Cristo nos dá acesso aos meios de salvação, em sua plenitude – Palavra e Sacramentos.
Jesus fundou a Sua Igreja sobre a Rocha (Pedro) e sobre colunas firmes (os Apóstolos). Em vez disso, se a Bíblia fosse suficiente por si mesma, Jesus teria garantido que os Evangelhos fossem escritos antes mesmo de Sua Ascensão, e teria ordenado que os cristãos distribuíssem Bíblias mundo afora, sem precisar explicar nada a ninguém. Porém, Cristo sabia que era preciso garantir que as Escrituras tivessem sua correta chave de leitura – e as Chaves dos Céus nós sabemos quem foi o único que recebeu de Suas mãos…
A Igreja é o “lugar” onde Cristo pode ser encontrado pelas pessoas de todas as gerações e lugares. Colocamos “lugar” entre aspas, porque o termo significa muito mais do que o templo em que os cristãos se reúnem: essencialmente, a Igreja é a comunhão sobrenatural dos que creem no Cristo.
Não basta crer sozinho, com a Bíblia embaixo do sovaco. É preciso estar em comunhão com os outros que creem, pois “Onde dois ou três estiverem reunidos, eu estarei no meio deles”. Eis uma definição mais ampla de Igreja: são os membros do Corpo de Cristo, em comunhão uns com os outros e com o Magistério exercido pelos chefes da Igreja.
Cristo disse expressamente que:
  • fundaria uma Igreja;
  • tal Igreja teria líderes autorizados a ensinar em Seu nome (“Quem vos ouve, a mim ouve” (Lc 10, 16));
  • tal Igreja teria atos cerimoniais (como os ritos dos sete sacramentos, a começar pelo batismo);
  • os líderes dessa Igreja teriam o poder de julgar e excomungar os membros irremediavelmente rebelados (Mt 18,15-17).
Em suma, Cristo estabeleceu uma Igreja hierárquica, com um conjunto de crenças bem definido (Escrituras e Tradição oral), atos cerimoniais e previsão de penas disciplinares para os vacilões incorrigíveis. São Paulo disse que a Igreja é “coluna e sustentáculo da verdade” (I Tim 3). Não sei como alguém ainda diz Jesus nunca quis uma religião, ou que “Igreja não salva”…
igreja_salva
Jesus jamais desprezou os atos cerimoniais autênticos de sua religião. Sendo judeu, foi apresentado no templo e foi circuncidado no oitavo dia de vida; aos 12 anos, foi à peregrinação anual com sua família a Jerusalém, e lá participou dos ritos da Páscoa; pediu para ser batizado por João; participava dos ritos na sinagoga, até mesmo fez no templo uma leitura que profetizava a Sua vinda (Lc 4); celebrou a Páscoa na última Ceia; distribuiu aos Apóstolos o Pão e o Vinho e ordenou que eles sempre fizessem isso em Sua memória…
O que Jesus dava pouca importância era para os ritos de purificação exterior da Antiga Aliança, que tiveram seu papel um dia, mas já não tinham mais razão de existir. Porém, os rituais da Nova Aliança continuaram de pé na comunidade primitiva! Tanto isso é verdade que a Bíblia que os cristãos se reuniam “no primeiro dia da semana” para a fração do pão (Atos 20,7).
SER CATÓLICO NÃO GARANTE A SALVAÇÃO
Bem diferente de outras denominações cristãs, que ensinam que basta crer para ser salvo, a Igreja Católica não ensina que basta uma criatura ser católica para ser salva. É preciso ser fiel em espírito e verdade, não adianta ser fiel somente na prática de ritos religiosos externos.
Porém, nem mesmo dentro dessa perspectiva seria válido dizer que “religião não salva”. Porque a religião que Jesus instituiu, essa salva sim! Desde que os seus adeptos não sejam seguidores hipócritas ou negligentes. Como um doente que é atendido no melhor hospital da cidade, mas se recusa a tomar corretamente a medicação prescrita, e não segue a dieta indicada pelo médico.
TEM RELIGIÃO, MAS JURA DE PÉS JUSTOS QUE NÃO TEM!
É hilário notar que boa parte dos que dizem que “religião não salva” não são os chamados “desigrejados”: são pessoas apegadas a determinado sistema religioso! Afinal, se eles precisam de “pastores” para lhes guiar na interpretação da Bíblia, está mais do que evidente que a Bíblia não é suficiente por si mesma.
Note isso, depois olhe bem na minha cara, e me diga se isso não é religião:
  • o sujeito congrega com sua comunidade semanalmente, em determinado local (o templo);
  • lá, participa do culto, em que há determinado ritual (pregações, cantos, ceia, danças, sessão de descarrego ou desencapetamento, corrente da prosperidade, momento reteté etc.);
  • respeita uma hierarquia em sua comunidade – algumas só têm pastor, outras têm obreiro, bispo, profeta, e até apóstolo (?!?);
  • fica horas ouvindo o pastor pregar, ou a irmã profetizar.
Não segue religião, não segue “tradições de homens”? Ah, irmãozinho… conta outra!
Agora da lissenssa, que eu já tô atrazada pro meu culto. Hoji tem ceçaum de cura pelo cuspi. Naum poço perdê di geito neium!
A ermã Craudileni me mandou um zápi avizano que a bispa vai realizá o Mergulho de Naamã. Rê comendo a todos! Vejão o momento abenssuado em que minha subrinha Tábata Rayane monta na bispa e faz gloob gloob di Jizuiz:
Gloob gloob di Jizuiz ungido pra vosseis também!
*****
Novidade boa! O nosso livro As Grandes Mentiras sobre a Igreja Católica está à venda na Amazon internacional (clique aqui)! Agora, os nossos leitores de outros países também poderão adquirir o livro. Mas, se preferir o eBook, clique aqui.

ENGANA-SE QUEM PENSA QUE TODO BUDISTA É PACÍFICO


Violência em nome de Buda

A violência típica do mundo administrado e a resistência à barbárie Parte I

Onda de refugiados gerada por extremistas de religião pacifista em Mianmar surpreende planeta


Adicionar legenda





 Genocidio ?
Massacre ?
Intolerância ?
Infanticidio ?
Feminicidio ?

Afinal radicalismo são atos protagonizados apenas por grupos minoris religiosos, ou é uma atitude bestializada de pessoas sem conhecimento e  psicoticas ?

Abandonados em barcos sem rumo, membros de uma minoria muçulmana expulsa de Mianmar por monges radicais são personagens centrais de uma crise humanitária que põe à deriva também a convicção do senso comum de que o budismo está sempre associado ao pacifismo. Milhares de homens, mulheres e crianças rohingyas teriam sido impelidos para o alto-mar e carregados por meses em barcos de pesca, com pouca comida ou água sobretudo por um conflito ligado à ascensão do extremismo budista no país do Sudeste Asiático. O conflito põe em evidência recentes trabalhos acadêmicos que estudam a violência no budismo. Especialistas avaliam que, embora tradicionais textos da religião preguem a não violência, o uso da agressividade por grupos de monges é bem mais frequente do que poderiam prever os ensinamentos de Buda. Adeptos de distintas linhas praticadas no Brasil, por sua vez, reafirmam o valor da tolerância.





Trata-se mais de propaganda que o budismo é relacionado ao pacifismo. A mídia ocidental e Hollywood têm nos alimentado de uma imagem tranquila de um “budismo kung-fu”, mas, na realidade, o budismo é tão propenso à corrupção como qualquer outra religião. Monges budistas atuais estão longe dos ensinamentos de Buda, que pregam a igualdade e a não violência dispara Sufyan bin Uzayr, escritor especialista em assuntos estrangeiros e autor do blog "Political Periscope", em que publicou texto sobre o assunto.

Para Uzayr, a principal causa da eclosão do atual embate é a emergência de um discurso a favor de uma pretensa pureza racial.
Eles (extremistas de Mianmar) sequer chamam o rohingya de "rohingya", mas de "bengalês", alegando que deveriam se mudar para Bangladesh e deixar Mianmar. Muitos monges birmaneses pensam que o país pertence somente a eles. Outra causa (do conflito) são as falsas fronteiras que foram desenhadas pelos colonialistas britânicos. Os estados de Arakan, Rakhine e outros deveriam ter sido declarados independentes, mas foram fundidos à Birmânia (antigo nome de Mianmar) opina.
Ele acrescenta que o governo do país, em que os budistas chegam a 90% da população e há mais de 500 mil monges, legitimou a ação de extremistas ao aprovar leis que proibiram membros da minoria muçulmana de terem filhos sem a permissão do Estado e que lhes negaram o direito a educação e saúde. Uma petição assinada por 1,3 milhão de pessoas pregaria a eliminação dos muçulmanos no país.

Frank Usarski, professor de Ciências da Religião da PUC-SP, reforça que é crescente o número de pesquisas sobre violência e budismo:
Esses estudos relativizam a imagem do budismo como ultrapacifista. A ideia principal que prega é a não violência, mas a religião é praticada por seres humanos e já estamos três mil anos depois de Buda.

Como exemplo recente ele cita a apropriação de argumentos religiosos na Guerra Civil do Sri Lanka, iniciada na década de 1980. Ao reagir contra os Tigres Tâmeis, organização separatista que lutava pela independência de um território da minoria étnica tâmil, parte da maioria budista cingalesa adotou o discurso da manutenção de uma suposta autenticidade do budismo no país, atacando hindus e muçulmanos. O professor explica que crônicas dos séculos V e VI que falam sobre o recurso a ações bélicas para manter a pureza da religião foram usadas por monges radicais como argumento para convencer leigos. A guerra civil terminou em 2009 com a derrota dos separatistas, mas os ataques de extremistas budistas aos muçulmanos continuam.

O caso cingalês pode ter influência no radicalismo de Mianmar, uma vez que alianças internacionais estavam entre as propostas do grupo, continua. Sobre os últimos embates em Mianmar, Usarski diz que motivações econômicas e sociais (Mianmar passou por uma transição política de 2011), além do fortalecimento de um discurso global anti-Islã, são ingredientes importantes na eclosão dos conflitos. Em meio a esse cenário, ele destaca a criação do Movimento 969, fundado pelo monge radical Ashin Wirathu, que se autointitula "Bin Laden birmanês".

Eles alegam que temem que o budismo, religião nacional em Mianmar, está correndo riscos. Essa retórica faz sucesso na população de leigos que já têm uma convivência problemática com muçulmanos, por outras razões, como as econômicas elucida, enfatizando, porém, que há resistência a esses grupos mesmo entre budistas. Religião alguma é totalmente pacifista. Há sempre tradições ambíguas dentro dos seus repertórios.
Budistas brasileiros rechaçam a violência do grupo birmanês. Mesmo adeptos de escolas predominantes em Sri Lanka e Miamar, como a Sociedade Budista do Brasil, alinhada à teravada, dizem discordar do radicalismo.
Toda religião tem extremismos, mas, no caso do budismo, isso é totalmente contra a doutrina, que prega a não raiva, a não provocação. Esses extremistas podem ser budistas de carteirinha, mas duvido que se sentem, pratiquem a meditação e revisem suas mentes afirma José Arlindo Bezerra, membro da sociedade.

Consultor da Associação Brasil Soka Gakkai Internacional, organização ligada ao budismo japonês nitiren, Pedro Paulo da Silva afirma que, em todas as ramificações da religião, o ensinamento é de não perseguição e tolerância.
Casos como esse são manifestações da escuridão fundamental que todo ser humano tem. Mas, o que o budismo prega é que todos devem revelar seu potencial positivo argumenta, contando que violência praticada por monges no exterior costuma ser seguida de perguntas de curiosos "É esse o grupo ao qual você pertence?". Explico que o fundamento do budismo nitiren é o respeito à dignidade humana.

O monge Jyunsho Yoshikawa, do chamado budismo primordial, faz eco:
Isso que estão praticando não é budismo. O ensinamento da religião é que a iluminação é para todos, independentemente de religião, raça, orientação sexual. Através da prática, é possível ter equilíbrio. Essas pessoas estão escolhendo outros caminhos.


O budismo militante



Mianmar: Desde a década de 1990, o Movimento 969 e o Exército Democrático Budista dos Karen realizaram uma onda de ataques terroristas anti-islâmicos, que resulta na perseguição à minoria muçulmana rohingya. O governo, que não reconhece o grupo como minoria, é acusado de estimular os ataques.

Sri Lanka: Desde a guerra civil, entre 1983 e 2009, monges estimulam a luta contra os separatistas da etnia tâmil. Nos últimos anos, o grupo nacionalista budista Bodu Bala Sena tem realizado ataques a capelas cristãs e a propriedades de muçulmanos. O governo também é usado para destruir templos, inclusive hindus e mesquitas.

Tailândia: Nos anos 1970, durante a Guerra do Vietnã, grupos de monges budistas defendiam que matar comunistas não violava os preceitos da religião. Em 2004, o movimento budista militante voltou a ganhar força com a insurgência islâmica no Sul do país, onde os muçulmanos são maioria. O governo transformou monastérios em postos militares e incentivou a criação de milícias budistas.

Butão: Até 2008, o governo butanês restringia a construção de templos não budistas e a entrada de missionários estrangeiros. Desde o começo dos anos 1990, mais de cem mil pessoas da minoria hindu foram expulsas para o Nepal e a Índia, devido a uma limpeza étnica promovida pelo governo.

Japão: Guerreiros budistas existem no Japão desde o período Heian (794-1185). Durante o século XX, instituições zen budistas legitimaram o militarismo expansionista do país tanto na Guerra Russo-Japonesa (1904-1905) como na Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Mais tarde, várias pediram desculpas pelo papel que desempenharam.

Tibete: Tensões entre os nativos tibetanos, que professam o budismo, e os membros de outras etnias, sobretudo os hui muçulmanos, têm levado a confrontos. Em 2012, uma multidão de cerca de 200 monges surrou um grupo de huis, em retaliação ao pedido da minoria de construção de uma mesquita.

Cenas de uma barbarie praticados por mongens budistas de Mianmar.
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FONTE - LEVANTE MALÊ

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Bispo responde à decisão do STF de que aborto até terceiro mês de gestação não é crime

Imagem referencial: STF. Foto: Wikimedia / Domínio público